Excelência reconhecida no Jersey

Aliando a produção de genética e de leite, a Cabanha Gema ampliou, os últimos anos, os investimentos na pecuária, tornando-se referência na seleção de Jersey no Rio Grande do Sul

Larissa Vieira

Desde 2014, a região Sul assumiu a liderança na produção de leite no País. Dos 33,5 bilhões de litros produzidos em 2017, 35,7% saíram de fazendas dessa parte do Brasil, conforme apontam dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Com seus 4.552 milhões de litros anuais (2017), o Rio Grande do Sul é o maior produtor da região e o segundo maior do País. O volume é quase o dobro do total produzido em 2002. Para os especialistas, esse salto só ocorreu porque os produtores rurais gaúchos fizeram investimentos constantes em tecnologia e na organização da cadeia.

A Cabanha Gema, que atua tanto na produção de genética da raça Jersey quanto de leite, exemplifica bem o que aconteceu na pecuária leiteira gaúcha. Fincada em uma importante bacia leiteira do estado, no município de Santa Rosa, noroeste do Rio Grande do Sul, a propriedade conseguiu aumentar em média 1.440 kg/leite por lactação encerrada aos 305 dias após adotar o sistema de compost barn. Antes da opção pelo compost barn, tipo de instalação para confinamento das vacas em lactação, a criação era a pasto, com o fornecimento de volumoso. O sistema, que antes era adotado apenas por grandes propriedades, vem ganhando força no Brasil desde 2011 e, hoje, é encontrado também em fazendas de porte menor.

No caso da Gema, a instalação foi construída para abrigar até 60 animais e, no momento, tem 42 fêmeas em lactação. O investimento vem sendo compensado não apenas pelo aumento da produtividade, mas também pela melhora da saúde do plantel e da qualidade do leite. “Desde que adotamos o compost barn, há três anos, reduzimos a contagem de células somáticas (CCS) de 540 para 330 CCS, além do aumento significativo da produtividade”, explica o médico-veterinário e proprietário da Cabanha Gema, Marcos Freitas.

Houve, ainda, reflexo significativo na sanidade do plantel. “Os casos de tristeza parasitária chegavam a 10 ou 12 por ano, mesmo tomando-se todas as medidas de prevenção e controle. Nos três anos de compost barn, foram apenas dois casos”, reforça o produtor.

A produção média do rebanho é de 25 litros/vaca/dia, perfazendo 30 mil litros mensais que são vendidos a um laticínio local. E, pela qualidade do leite alcançada na Cabanha Gema, a fazenda recebe uma bonificação da indústria. O atual sistema de manejo potencializa um dos diferenciais da raça Jersey, que é a produção de leite com maiores teores de proteína, sólidos, vitaminas e minerais. “A pecuária leiteira é um bom negócio e está cada vez mais profissional. As propriedades têm investido muito em tecnologias para intensificar a produção e a qualidade do leite, nivelando por cima o segmento. Quem não seguir este caminho, provavelmente não terá condições de continuar de forma competitiva no setor”, acredita Freitas.

Com a melhora na rentabilidade do negócio, o produtor gaúcho já projeta trabalhar com a capacidade máxima do compost barn no próximo ano, passando de 42 para 60 vacas em lactação. Para isso, aposta na dobradinha nutrição/genética. O planejamento nutricional do rebanho é feito pelo próprio criador, que utiliza produtos e soluções nutricionais da Tortuga, uma marca DSM, na formulação da ração e na suplementação de cada categoria, de forma a atender as suas necessidades específicas.

No caso das vacas prenhes, uma dieta pré-parto é adotada durante as três semanas que antecedem a parição. No preparo do concentrado, é incluído o núcleo Bovigold Pré-Parto OVN, cuja função é ajudar a vaca a ter um parto seguro e livre de problemas metabólicos.

Após o parto, os animais recebem uma ração totalmente misturada, formulada com base em dois núcleos e preparada em uma fábrica local. O suplemento é utilizado na proporção de 4%. As vacas em lactação consomem 350g/cabeça/dia da mistura de núcleos, fornecidos em quatro tratos diários através da dieta total.

Já as terneiras e novilhas ficam no pasto, recebendo mineral à vontade no cocho. Bezerras, novilhas e vacas secas recebem suplementos da DSM específicos para cada categoria, também de forma livre no cocho. “Sem o fornecimento de um mineral adequado, não seria possível alcançar esses índices de produção na Gema”, explica Freitas.

O Supervisor Técnico Comercial da DSM, Frederico Trindade, acompanhou, no último ano, essa evolução da fazenda, que vem se tornando cada vez mais eficiente e competitiva. Segundo ele, essa é uma tendência nas principais bacias leiteiras do País, e no Rio Grande do Sul não é diferente. “Está havendo uma especialização muito grande da pecuária leiteira e uma
concentração maior desta atividade em propriedades com maiores rebanhos e produção leiteira. Esse aumento da escala de produção resulta em propriedades mais competitivas, pois dilui custo de produção, e sabemos que o volume de leite comercializado também tem importância para a formação de preço de leite pago ao produtor”, esclarece Trindade.

No caso do Rio Grande do Sul, a produção leiteira concentrase basicamente na parte norte do estado, com a presença maior de pequenas fazendas, a chamada agricultura familiar. Em geral, os próprios produtores conduzem as atividades operacionais nas propriedades. “Por ser também uma região agrícola de produção de grãos, a parte nutricional dos rebanhos leiteiros acaba sendo beneficiada. Há uma excelente produção de alimentos volumosos, como pastagens, gramas e alimentos conservados como silagens, fenos e pré-secados”, explica o Supervisor da DSM.

58 ANOS DE SELEÇÃO GENÉTICA
A Cabanha Gema é uma propriedade familiar, conduzida por Marcos Freitas e a esposa Ângela Maraschin, que também é médica-veterinária. Em 2001, os dois assumiram a responsabilidade de continuar a seleção de Jersey PO (Puro de Origem) iniciada, em 1961, pelo pai de Ângela, o criador Gerzy Ernesto Maraschin. Graças ao trabalho de melhoramento genético conduzido por décadas pelo fundador, o casal conseguiu ter uma boa base genética de Jersey para dar continuidade ao negócio e alcançar o reconhecimento do mercado.

A Gema detém uma das vacas de melhor classificação linear do País. Gema ISCA Doutrina Valentino FIV EX 95 recebeu a classificação de Excelente 95 (EX 95) da Associação de Criadores de Gado Jersey do Rio Grande do Sul. “Só existem duas vacas EX 95 no Brasil até o momento e uma delas é de nosso criatório”, anima-se Freitas.

ISCA vive o apogeu de sua qualidade genética e ganhou títulos em praticamente todas as exposições de que participou recentemente. Um deles foi o bicampeonato na Expointer, conquistado na edição de 2019. E ela será preparada para alcançar, em 2020, o tricampeonato da Expointer, um feito inédito dentro da raça. No ano passado, ISCA foi eleita a segunda melhor vaca do Circuito Nacional de Jersey. Ela também vem mostrando alto desempenho produtivo: a última lactação encerrada fechou com 10.059 kg.

ISCA vem de um pedigree consagrado. A mãe, Gema DOUTRINA Qmo Chairman EX 91, é Excelente 91. Aos 11 anos, está prenha novamente. Este será o nono parto. No plantel da Gema, existem 40 animais com classificação pela Associação de Jersey do RS, sendo 35 acima de 85 pontos e sete Excelentes. “Essa é uma conquista que agregou muito valor ao nosso rebanho e nos deu projeção nacional, refletindo no aumento significativo do preço dos animais e na maior procura pela genética da Gema”, conta o produtor.

Para atender à demanda, a propriedade passou a aspirar as sete vacas Excelentes, como ISCA e a mãe DOUTRINA, para produzir embriões e comercializá-los inclusive para outros estados. Nos acasalamentos, aliam animais de boa produção e tipo (úbere, pernas e outras características). Segundo Freitas, o trabalho com o gado PO é focado na consistência de seleção para obter um Jersey funcional. Touros genômicos só são utilizados no processo se o reprodutor vier de uma família consistente da genética americana ou canadense, com vacas consagradas.

Empolgado com as conquistas na raça, Freitas pretende continuar investindo na pecuária leiteira, fazendo da dobradinha genética/produção um negócio sempre rentável.

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