A seca é uma visitante bem conhecida dos pecuaristas brasileiros. Aparece todos os anos, com maior ou menor intensidade, e não pode ser considerada uma surpresa. Mesmo assim, muitas fazendas esperam para reagir até o problema entrar porteira adentro.
A seca não começa quando o pasto acaba…ela inicia meses antes, na decisão que foi adiada. No ajuste de lotação que não aconteceu, na estratégia nutricional que não saiu do papel, no descarte que ficou para depois.
E esse cenário se repete tanto em sistemas a pasto quanto no confinamento, especialmente quando há falhas na produção e no planejamento de volumoso. “Em ambos os casos, o clima atua como fator de pressão, mas o desempenho final está diretamente ligado à qualidade da gestão”, observa João Yamaguchi, Gerente de Marketing Gado de Corte Latam da dsm-firmenich. E cita como exemplos propriedades que, mesmo sob condições severas de restrição hídrica, conseguem manter produtividade e ritmo de comercialização. “O diferencial, quase sempre, está na capacidade de antecipação e organização do sistema produtivo”, define.
Gabriel Persiquini, Consultor em Pecuária de Precisão da dsm-firmenich, também chama a atenção para a demora na tomada de decisão, cujo custo aparece nos indicadores — e no caixa da atividade. “Mesmo em regiões como o norte de Minas Gerais, onde já tivemos anos com menos de 500 mm de chuva no período chuvoso (outubro a abril), observamos fazendas com bom planejamento mantendo desempenho, volume de vendas e reposição. Ou seja, o clima impacta, mas a gestão define o resultado”, afirma.
A opinião é partilhada por Danillo Sathler, Gerente Técnico Confinamento da dsm-firmenich: “Planejamento é a grande questão quando falamos em seca. Se não entendemos o potencial de produção das pastagens e a dinâmica do rebanho ao longo do ano, certamente deixamos de potencializar o ganho de peso e os resultados da propriedade.”
TRANSFORMANDO EXPERIÊNCIA EM ACERTO
Um dos equívocos mais frequentes citados pelos especialistas ouvidos pela reportagem é a ausência de planejamento da dinâmica do rebanho ao longo do ano. Sem clareza sobre entradas, saídas e evolução das categorias, a fazenda chega à seca com uma lotação incompatível com sua capacidade de suporte.
“Essa desorganização costuma levar à adoção de medidas emergenciais, como suplementações não previstas e ajustes tardios, geralmente mais caros e menos eficientes. Além do impacto direto no desempenho animal, esse tipo de erro compromete o principal ativo da propriedade, que é o pasto. O resultado é um efeito cascata que afeta não apenas o ciclo atual, mas também a produtividade futura do sistema”, fala João Yamaguchi.
Segundo Danillo Sathler, sem saber quantos animais permanecerão na fazenda durante a seca, o produtor não consegue ajustar corretamente a taxa de lotação para o período crítico. “Como consequência, a oferta de forragem pode se tornar insuficiente para a carga animal presente na propriedade, reduzindo o ganho de peso dos animais e aumentando o tempo necessário para terminar ou comercializar esses lotes”, ressalta.
Ou, ainda, isso pode levar à chamada “venda forçada” de animais. “Quando o produtor percebe que não há disponibilidade de pasto suficiente para manter o rebanho durante a seca, ele acaba sendo obrigado a vender parte dos animais em momentos que, muitas vezes, não são oportunos do ponto de vista de mercado. Nessas situações, a comercialização com menor peso ou em períodos de preços menos favoráveis reduz a rentabilidade da atividade. Na prática, quando o produtor não sabe quantos animais terá na fazenda na seca, ele também não consegue saber se terá comida suficiente para todos”, salienta.
A falta de planejamento quanto à evolução do rebanho ao longo do ano, considerando entradas e saídas de animais, também é citada por Gabriel Persiquini como um erro recorrente a ser evitado. “Quando esse ajuste não é feito, o impacto é direto: perda de desempenho animal e degradação do principal ativo da fazenda, que é o pasto. Ou seja, o problema deixa de ser pontual e passa a comprometer o sistema produtivo como um todo”, afirma.
NO PASTO E NO COCHO, O PLANEJAMENTO É QUE DEFINE OS RESULTADOS
Na pecuária a pasto, que tem a forragem como base da dieta dos animais, a falta de planejamento reduz a oferta de alimento justamente no período mais crítico do ano. E o reflexo é imediato: menor desempenho na recria e engorda, maior tempo de permanência dos animais na fazenda e impacto na reprodução.
“Quando não respeitamos a taxa de lotação adequada para o período seco, também deixamos de manter o resíduo de pastagem necessário para formar palhada e estimular uma rebrota vigorosa no período das águas. Com o tempo, esse processo contribui para a degradação das pastagens, o aumento de plantas invasoras e a redução da área produtiva da fazenda”, observa Danillo Sathler.
No confinamento, a desorganização afeta desde a definição do número de animais até a compra de insumos. Volumoso insuficiente ou mal ajustado à dieta exige correções emergenciais, elevando o risco de distúrbios metabólicos e prejudicando o ganho de peso. Soma-se a isso a chegada de animais que passaram por restrição nutricional, com alterações fisiológicas que limitam seu desempenho.
Outro ponto importante, alerta Sathler, diz respeito à qualidade do animal que chega ao confinamento. A restrição nutricional na seca provoca alterações fisiológicas, como maior peso adulto potencial e adaptações no trato gastrointestinal, que reduzem a eficiência e o desempenho.
“Quando esses animais entram no confinamento, parte do ganho de peso inicial está relacionada à recuperação do trato gastrointestinal, caracterizando o chamado ganho compensatório. O aumento do peso adulto pode comprometer o acabamento de carcaça, reduzindo o rendimento no frigorífico e dificultando o acesso a bonificações por qualidade de carcaça”, explica.
QUAL A MELHOR ÉPOCA PARA A TOMADA DE DECISÃO?
O período das águas é o momento-chave para definir o que acontecerá na seca, aproveitando melhores condições de mercado e menor custo de intervenção. É quando as decisões estruturantes precisam ser tomadas.
Entre as principais ações, João Yamaguchi cita o ajuste da taxa de lotação, a definição das categorias prioritárias e o planejamento da suplementação. “Outro ponto central é a estratégia comercial: decidir com antecedência quais animais serão mantidos, vendidos ou redirecionados evita decisões precipitadas em momentos de pressão”, ensina.
“Na prática, o planejamento da seca começa no final da seca anterior. Durante o período das águas, é fundamental consolidar informações como evolução do rebanho, capacidade de suporte da fazenda, área efetivamente produtiva, massa de forragem e eficiência do sistema”, complementa Gabriel Persiquini. Para ele, o ponto central é definir com precisão quantas unidades animais por hectare (UA/ha) a fazenda irá suportar no auge da seca. “A partir disso, são tomadas decisões estratégicas sobre manejo, suplementação e comercialização, garantindo equilíbrio entre produção e capacidade do sistema”, argumenta.
Danilo Sathler acrescenta que é essencial conhecer o potencial de produção de forragem da propriedade e identificar a espécie predominante, já que cada uma possui potencial produtivo e manejo específicos. “Por exemplo, para as forrageiras do gênero Panicum, que apresentam crescimento cespitoso (caules ou brotos nascem agrupados a partir da mesma raiz) e elevada produção de massa, grande parte da colheita deve ocorrer durante o período das águas, permitindo direcionar áreas ou pastos específicos para utilização estratégica durante a seca”, salienta.
A seguir, o próximo passo é alinhar essas informações com o rebanho da fazenda. “Um momento muito oportuno para levantar essas informações é o mês de novembro, quando normalmente ocorre o manejo de vacinação do rebanho. Nessa ocasião, os animais já estão manejados no curral, o que cria uma excelente oportunidade para realizar a pesagem em balança e obter uma informação mais precisa do peso dos animais”, aconselha.
Com essas informações (número de animais, categoria e peso), pode-se projetar a evolução do rebanho ao longo do ano, considerando fatores como manejo adotado na fazenda, genética dos animais e estratégia de suplementação. “A partir dessas projeções, o produtor consegue planejar melhor a taxa de lotação e definir as estratégias necessárias para atravessar o período seco com menor impacto produtivo”, sinaliza Sathler.
PLANO ANUAL DE NUTRIÇÃO
Para mitigar os efeitos da seca, o planejamento nutricional é peça-chave dentro da gestão da fazenda. Gabriel Persiquini cita o Plano Anual Nutricional (PAN) como uma ferramenta importante para organizar todas as categorias animais, além das movimentações previstas de compra e venda ao longo do ano. “Isso permite projetar o desempenho, antecipar a lotação na seca e ajustar manejo, suplementação e custos, evitando decisões emergenciais”, orienta.
“O planejamento nutricional funciona como um dos principais pilares da eficiência produtiva”, complementa João Yamaguchi. “Quando estruturado com antecedência, permite prever necessidades, organizar categorias e alinhar oferta de nutrientes com os objetivos de desempenho. Ferramentas como o planejamento anual de suplementação ajudam a integrar essas variáveis, conectando a evolução do rebanho com a estratégia alimentar ao longo do ano. Na prática, isso reduz a dependência de decisões emergenciais e melhora o controle dos custos operacionais”, avalia.
Corroborando as opiniões, Danillo Sathler acrescenta que o plano nutricional precisa estar alicerçado em uma meta clara de desempenho. Com a gestão do rebanho bem estruturada e as metas produtivas definidas, fica mais fácil direcionar a estratégia nutricional adequada para cada categoria animal. “Por exemplo, em uma fazenda que trabalha com suplementação mineral aditivada durante o período das águas, com expectativa de ganho médio diário (GMD) de 0,85 kg por animal ao longo de 180 dias, e que possui meta de abate de animais com 580 kg, é possível projetar quais animais atingirão esse objetivo apenas com essa estratégia nutricional. Nesse cenário, animais que iniciam o período das águas com aproximadamente 427 kg poderiam alcançar o peso de abate ao final do ciclo”, informa.
A partir dessa análise, o produtor consegue avaliar as diferentes faixas de peso do rebanho e direcionar a melhor estratégia nutricional para cada grupo de animais. “O planejamento nutricional também cria a oportunidade de ajustar a carga da fazenda no início da seca. Ao projetar o desempenho dos animais durante o período das águas, o produtor consegue direcionar estratégias nutricionais para que determinados lotes alcancem o peso objetivo antes da chegada da seca, permitindo sua comercialização ou encaminhamento para terminação. Com isso, a fazenda entra no período seco com a carga animal mais ajustada à disponibilidade de forragem, reduzindo a pressão sobre as pastagens e aumentando a segurança produtiva do sistema”, comenta.
Outro ponto importante destacado por Sathler é a validação do planejamento forrageiro na entrada da seca. Nesse momento, é fundamental aferir a quantidade de massa de forragem disponível na fazenda e avaliar se ela está condizente com o planejamento realizado meses antes. Essa checagem permite ajustar a estratégia de manejo, caso necessário, garantindo que a propriedade tenha oferta de alimento suficiente para atravessar o período seco com segurança.
Nos sistemas de cria, os efeitos também podem ser bastante significativos. Fêmeas que chegam ao parto com baixo escore de condição corporal podem comprometer a nutrição do feto durante a gestação, reduzindo o aporte de nutrientes necessários para o desenvolvimento fetal. “Esse processo pode influenciar, por exemplo, a formação do número de fibras musculares do bezerro, característica diretamente ligada ao potencial de ganho de peso futuro desse animal”, ressalta.
Além disso, prossegue Sathler, vacas com escore corporal inadequado ao parto apresentam maior dificuldade de emprenhar na estação de monta seguinte. Isso pode aumentar o número de serviços, elevar o custo com protocolos reprodutivos e resultar em prenhez tardia ou até mesmo vacas vazias, comprometendo a eficiência reprodutiva do sistema.
“Por esta razão, costumamos dizer que o pior custo dentro de uma fazenda é aquele que não chega em forma de boleto para ser pago, mas que se acumula silenciosamente ao longo do tempo, reduzindo produtividade, eficiência e rentabilidade do sistema”, resume.
APOIO EM FERRAMENTAS DE GESTÃO
Na pecuária moderna, decisões mais assertivas nascem do uso consistente de dados. O desafio já não é apenas medir, mas organizar e transformar informação em decisão.
Indicadores como taxa de lotação, ganho médio diário e oferta de forragem permitem uma leitura mais precisa do sistema, orientando metas e ajustes ao longo do ciclo. Daí a importância das ferramentas de gestão para dar clareza e orientar a tomada de decisões baseada em números reais. “Com essas informações, o produtor deixa de agir apenas de forma reativa e passa a antecipar cenários. Isso abre espaço para decisões mais estratégicas, como ajuste de lotação, programação de vendas e definição de níveis de suplementação. Além disso, o histórico de dados permite avaliar ciclos anteriores, identificar gargalos e promover melhorias contínuas”, exemplifica João Yamaguchi.
“Com esse suporte, o produtor ganha previsibilidade para ajustar a lotação, programar vendas, calibrar a suplementação e mitigar riscos — ao mesmo tempo em que constrói um histórico consistente, essencial para aprimorar o sistema a cada ciclo”, concorda Gabriel Persiquini. “Indicadores como carga animal (UA/ha), taxa de lotação, ganho médio diário, oferta de forragem e evolução do rebanho estruturam a análise e ampliam a capacidade de antecipação”, acrescenta.
Danilo Sathler também chama a atenção para a dificuldade em lidar com o grande volume de informações geradas nas fazendas. E reforça: “Sem o apoio de ferramentas de gestão que organizem esses dados, aumenta significativamente o risco de desvios ao longo do processo”.
Como o planejamento na pecuária envolve horizontes de médio a longo prazo, prossegue Sathler, o acompanhamento contínuo de indicadores produtivos se torna indispensável para verificar se o desempenho segue dentro do esperado.
“Esse monitoramento permite identificar possíveis ajustes de manejo ou de estratégia nutricional ainda durante o ciclo produtivo”, acrescenta. E cita, como exemplo, o FarmTell® Views, da dsm-firmenich, aplicativo que auxilia no acompanhamento das rotinas operacionais, na organização das informações produtivas e na verificação das metas produtivas da propriedade, permitindo uma gestão mais eficiente e baseada em dados.
“Outro ponto importante é que o cenário de mercado e o preço dos insumos podem variar ao longo do tempo. Por isso, as estratégias precisam ser constantemente revisadas, sempre considerando o custo da arroba produzida em cada sistema e sua relação com a projeção de venda dos animais. Dessa forma, o uso de dados e indicadores permite que o produtor tome decisões mais assertivas e mantenha a rentabilidade do sistema produtivo”, destaca Danillo Sathler.
O CUSTO INVISÍVEL DA INÉRCIA
Nem todos os prejuízos da seca aparecem de imediato. “Custos invisíveis”, como menor ganho de peso, mais tempo até o abate, queda na reprodução e degradação do pasto, acumulam-se ao longo do tempo e comprometem a eficiência do sistema. Somados, podem representar perdas expressivas e, frequentemente, superiores ao investimento necessário para um planejamento adequado.
Para João Yamaguchi, a falta de ação no momento certo cobra um preço alto. “Quando o produtor posterga decisões, ele entra na seca com menos opções e maior pressão, o que geralmente leva a escolhas mais caras e menos eficientes. Esse movimento impacta diretamente a margem do negócio: insumos adquiridos em momentos desfavoráveis, animais vendidos sob necessidade e o desempenho produtivo fica comprometido”, argumenta. E adverte que, em um contexto global mais instável, com oscilações de mercado, custos e demanda, esse efeito se intensifica. “A inércia deixa de ser apenas um problema operacional e passa a representar um risco econômico relevante”, alerta.
Danillo Sathler reforça: “Costumamos dizer que, na pecuária, os próximos 12 meses já são passado. Isso porque trabalhamos dentro de um sistema produtivo que possui ciclos bem definidos, envolvendo o capim, o solo, os animais, o mercado. Quando o produtor adia tomadas de decisão importantes, os impactos acabam aparecendo mais à frente.” E menciona, como exemplo, o planejamento da saída dos animais antes do período seco. “Se essa decisão é tomada tardiamente, a fazenda pode entrar na seca com uma carga animal acima da capacidade de suporte das pastagens. Como consequência, ocorre redução na oferta de forragem, queda no desempenho dos animais e, muitas vezes, a necessidade da chamada “venda forçada” de lotes em momentos pouco favoráveis de mercado. Ou o aumento no tempo de permanência dos animais na fazenda, elevando custos de produção e reduzindo receita”, observa.
Por outro lado, quando o produtor define e valida sua estratégia com antecedência, passa a ter maior previsibilidade sobre o sistema produtivo. “Em um cenário como o atual, marcado por tensões comerciais e geopolíticas que impactam preços de insumos e de commodities, essa previsibilidade se torna ainda mais valiosa. Com planejamento, o produtor pode aproveitar oportunidades de mercado para travar contratos de insumos em momentos mais favoráveis de preço e, ainda, utilizar ferramentas como o mercado futuro para proteger o valor de venda dos animais”, analisa Sathler.
ACERTANDO O PASSO
“A pecuária é construída em ciclos, mas os melhores resultados nascem da antecipação. O produtor que planeja, mede e ajusta continuamente seu sistema, consegue reduzir incertezas e melhorar sua eficiência ao longo do tempo”, afirma João Yamaguchi. “No fim, o que define o desempenho não é apenas o ambiente, mas sim a capacidade de gestão diante dele”.
Danilo Sathler frisa que o produtor precisa conhecer bem o resultado do presente, entender os números da sua operação, identificar fortalezas e fraquezas antes de avançar para a etapa seguinte, que é o planejamento para evolução dos resultados. “Um indicador que possui grande relevância e forte correlação com o desempenho econômico da fazenda é o ganho médio diário (GMD) dos animais. Manter um GMD condizente com a estrutura produtiva da propriedade é fundamental para alcançar bons resultados. Quando não conhecemos nossos números e não sabemos exatamente aonde queremos chegar, qualquer caminho acaba servindo”, alerta.
As opiniões são compartilhadas por Gabriel Persiquini: “Mais do que produzir arrobas, é preciso gerir o sistema como um negócio, com foco em previsibilidade, controle de indicadores e tomada de decisão baseada em dados. É isso que diferencia quem apenas reage de quem constrói resultado de forma consistente ao longo dos anos.” Portanto, seca não é apenas sobre falta de chuva. É sobre se preparar com antecedência. Em um cenário como o atual, de incertezas geopolíticas e de margens mais apertadas, além de mais exigência por eficiência, adiar decisões deixou de ser uma opção.
Seja no pasto ou no confinamento, a rentabilidade está cada vez mais ligada à capacidade de antecipar movimentos — e agir antes que o problema apareça.

