Rebeca Lima
Gerente de Contas NE/MAPITO dsm-firmenich
Nascida e criada na cidade de Santa Rita de Cássia, no oeste da Bahia, a zootecnista Lyara Assis sempre esteve profundamente conectada ao campo. Filha de uma professora e de um pecuarista, teve como exemplo os avós, que viviam da pecuária e de pequenas lavouras. “Foi ali que aprendi, ainda menina, o valor da terra, do trabalho e da responsabilidade”, recorda ela que, aos cinco anos, já sabia com o que queria trabalhar. “O gado sempre foi minha paixão. Uma paixão que virou profissão e que, hoje, é meu meio de vida”, ressalta.
Aos 13 anos, ela deixou sua terra natal para estudar em Alagoas, onde concluiu o ensino médio e iniciou a graduação em Zootecnia na Universidade Federal de Alagoas. Morando longe da família, da casa e da fazenda dos avós, para ela, cada dia era um novo desafio. “Mas os ‘aperreios’ da vida universitária são necessários — eles moldam profissionais mais conscientes e nos ensinam a valorizar cada etapa da caminhada”, afirma.
Após se formar, em 2018, e obter o diploma no curso de seus sonhos, Lyara voltou para a Bahia, onde prestou assistência técnica a pequenos produtores e lecionou em um curso técnico em Zootecnia. “Costumo dizer que foi ali que vivi um dos meus maiores aprendizados: ensinar também é aprender.”
Depois de dois anos, voltou a Alagoas ‘a passeio’, mas acabou ficando…e já se passaram seis anos. “As oportunidades vieram, o reconhecimento também. O trabalho é intenso, mas o aprendizado é gigante. Hoje, sou pós-graduada pela FAZU – Faculdades Associadas de Uberaba em Gestão de Confinamentos de Bovinos de Corte e sigo estudando, agora em uma nova pós-graduação em Melhoramento Genético Bovino — minha maior paixão dentro da profissão”, conta.
Atuando na Agropecuária Santa Nazaré, empresa consolidada e reconhecida no setor pela seriedade, compromisso com a qualidade e foco em melhoramento genético, Lyara é responsável por todo o núcleo PO, conduzindo desde o planejamento estratégico de acasalamentos até o acompanhamento dos nascimentos, desenvolvimento e entrega final dos animais nos leilões. “Produzir genética para o mundo não é fácil, exige técnica, responsabilidade e visão. Mas é imensamente gratificante ver o resultado do seu empenho alcançar novos criadores e multiplicar o progresso por meio do melhoramento animal”, fala ela. E acrescenta que participar da cadeia de profissionais que ajudam a alimentar o mundo só pode ser definido em uma palavra: gratidão.
“Falar ao microfone em um recinto lotado e apresentar um animal que ajudei a planejar, vi nascer e acompanhei o crescimento é, sem dúvida, a maior prova de que trabalhar com o que se ama vai muito além do especial. Além de realização, propósito, e retorno financeiro, é, acima de tudo, acalento para os dias difíceis. É transformar técnica em resultado e dedicação em genética que ultrapassa porteiras e alcança novos criadores”, salienta Lyara.
Mesmo que o trabalho no agro possa ser desafiador para as mulheres, ela pondera que respeito se conquista com postura e coerência. “Aprendi na lida que todos merecem seu espaço. Em um universo majoritariamente masculino, minha energia feminina não diminui; ela equilibra, lidera e direciona”, comenta.
O trabalho no campo a fascina, seja mexendo com vacas, escolhendo touros, conferindo as Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs), planejando acasalamentos ou liderando tarefas. “O mais importante para nós, mulheres do agro, é não perdermos a nossa essência. Não precisamos ser mais do que somos para ocupar nosso espaço. Podemos ser mulheres de botina ou de salto, de calça ou de vestido, de cabelo preso sob o boné ou solto ao vento. Neste meio, podemos ser o que quisermos. Lugar de mulher é onde ela quiser, e o meu é aqui”, assegura.

