Programa Qualidade do Leite Começa Aqui reconhece excelência e sustentabilidade na produção leiteira

José Francisco Miranda Jr.
Gerente de Serviços de Precisão Latam dsm-firmenich

Fernanda Simões
Especialista de Marketing Ruminantes dsm-firmenich

Produzir leite de alta qualidade, com segurança para o consumidor, maior eficiência industrial e menor impacto ambiental é um dos principais desafios da pecuária leiteira moderna. Com esse propósito, a Tortuga® promove, desde 2012, o Programa Qualidade do Leite Começa Aqui, iniciativa que incentiva seus clientes a adotarem práticas que elevam a qualidade do leite, a eficiência dos sistemas produtivos e a rentabilidade das propriedades.

Ao longo de 14 edições, o programa já reuniu mais de 24 mil propriedades, avaliou cerca de 1,9 milhão de vacas em lactação e premiou 578 fazendas em 15 estados brasileiros. A competição contempla propriedades das raças Holandesa, Jersey/Jersolanda e raças mestiças, nas categorias Qualidade e Quantidade e Qualidade.
Há três anos, o programa passou a reconhecer também as fazendas que se destacam em sustentabilidade, destacando que é possível a excelência produtiva caminhar junto com a redução da pegada ambiental da atividade.

A avaliação da categoria é realizada por meio do Sustell™, plataforma utilizada para calcular a pegada ambiental da produção leiteira. A ferramenta permite mensurar indicadores ambientais da fazenda, identificar oportunidades de melhoria e acompanhar a evolução do sistema de forma contínua, trazendo maior transparência, embasando a tomada de decisão e facilitando a comunicação dos resultados.

Um dos principais indicadores avaliados é a intensidade de emissões de gases de efeito estufa, expressa em quilogramas de CO2 equivalentes por litro de leite corrigido para gordura e proteína (FPCM). De acordo com dados do IFCN (International Farm Comparison Network), a média mundial é de 2,5 kg de CO2eq/L de leite.

A Granja Real alcançou o resultado de 1,82 kg de CO2eq/L de leite corrigido para gordura e proteína, aproximadamente 27% inferior à média global, evidenciando que é possível combinar alta produtividade, rentabilidade e menor impacto ambiental. Considerando o total produzido de leite na propriedade no ano de 2025, essa diferença – a menor das emissões reais em relação à emissão média mundial – é equivalente ao impacto ambiental positivo de plantar 4.464 árvores ou retirar 63 carros das estradas, traduzindo de forma prática os benefícios das ações adotadas na propriedade.

Foi nesse cenário que a Granja Real conquistou o primeiro lugar na categoria Sustentabilidade da edição de 2025 do Programa Qualidade do Leite Começa Aqui. Localizada no município de Itaiópolis, no Planalto Norte de Santa Catarina, a Granja Real, de propriedade da família Adam, atua na atividade leiteira há mais de 30 anos. Seu Adilson e dona Rosalina, juntamente com a filha Camila, conduzem a granja de 11 hectares, dos quais nove hectares são destinados à produção leiteira.

A silagem de milho é o principal volumoso produzido, destinado às vacas em lactação e no pré-parto. A silagem de milheto é utilizada como opção de segunda safra de verão para a recria e as vacas secas. Todo o volumoso é produzido na propriedade, assim como o manejo operacional das lavouras. No inverno, é realizada a adubação de cobertura das áreas de aveia.

O sistema de produção adota o plantio direto com adubação química e orgânica. Os dejetos dos animais são armazenados em esterqueiras, onde passam por um processo controlado de fermentação. Para acelerar esse processo, a granja utiliza um sistema de propulsão de ar que promove a oxigenação dos dejetos. Após aproximadamente quatro meses, o chorume é aplicado nas lavouras, respeitando o intervalo entre as safras.

Outro diferencial é a autossuficiência energética, garantida por um sistema de geração de energia solar fotovoltaica. A propriedade também conta com abastecimento de água proveniente de poço artesiano.

Segundo o sr. Adilson, a fazenda prova que mesmo pequenas propriedades têm acesso às tecnologias e podem contribuir para uma produção mais sustentável e menos poluidora. “Quero incentivar outros produtores a seguirem esse caminho”, afirma.

O sistema de produção é em free stall com túnel de vento. O rebanho é composto por 40 vacas em lactação, oito vacas secas ou em pré-parto, dez animais de recria acima de 12 meses e doze abaixo dessa idade. A estrutura do rebanho apresenta 69% de vacas em produção, sendo 57% lactantes e 31% de recria. A reposição é realizada na própria fazenda, enquanto o excedente de bezerras é comercializado ao nascimento.

A reprodução é baseada exclusivamente em inseminação artificial com sêmen sexado. “Através da genética, nossa meta é atingir média de 40 litros por vaca ao dia, mantendo elevados teores de sólidos e qualidade do leite”, destaca o sr. Adilson.

A eficiência é um dos principais diferenciais da propriedade. Em 2025, a Granja Real produziu aproximadamente 420 mil litros de leite, alcançando produtividade de 46,7 mil litros por hectare ao ano. Atualmente, a produção mensal já se aproxima de 40 mil litros, resultado que deverá elevar ainda mais esse indicador.

Além do volume produzido, a qualidade do leite também se destaca, com média de 4,32% de gordura, 3,60% de proteína, CCS de 99 mil células/mL e CBT de apenas 8 mil UFC/mL. A produção média atual é de 35 a 36 litros por vaca ao dia.

O leite é comercializado para a Cooperativa Alfa e industrializado pela Cooperativa Aurora, sendo remunerado com base na qualidade. “Nos últimos meses, recebemos cerca de 18% de bonificação acima do preço base devido aos indicadores de qualidade do leite”, salienta o proprietário.

Toda essa eficiência produtiva também se reflete no desempenho ambiental da propriedade. A combinação entre manejo adequado dos dejetos, geração de energia renovável, elevada produtividade por área, eficiência reprodutiva e nutricional e gestão técnica dos indicadores permitiu à Granja Real alcançar uma intensidade de emissões de apenas 1,82 kg de CO2 equivalentes por litro de leite corrigido para gordura e proteína.

Para o sr. Adilson, a sustentabilidade é consequência direta da eficiência. “Na nossa propriedade, sempre buscamos fazer mais com menos. Isso significa ter mais vacas produtivas, menos animais improdutivos e maior eficiência reprodutiva e produtiva. Esse modelo aumenta nossa rentabilidade e, ao mesmo tempo, foi o que nos levou a conquistar o título de campeão da categoria Sustentabilidade em 2025.”

A nutrição do rebanho possui papel imprescindível no resultado de baixas emissões. O concentrado é produzido na própria fazenda utilizando milho, farelo de soja, farelo de trigo e casca de soja adquiridos da cooperativa. A propriedade conta com a assistência técnica da equipe Tortuga® e utiliza tecnologias como Bovigold® Ultra, Bovigold® Pré-Parto Plus, Bovigold® Pasto e Bovigold®. O custo alimentar das vacas em lactação corresponde atualmente a cerca de 14 litros de leite por vaca ao dia, representando aproximadamente 39% da receita, com RMCA Receita Menos Custo com Alimentação) de R$ 62,00.

Com rigoroso controle dos indicadores zootécnicos e econômicos, o sr. Adilson acompanha todos os custos da atividade. Em 2025, a granja registrou 17% de lucro líquido, considerando a alimentação de todas as categorias, mão de obra, depreciação, custos agrícolas, investimentos, medicamentos e reprodução.

Ao comentar a conquista, ele reforça a importância de mudar a percepção sobre a pecuária leiteira: “O produtor de leite precisa entender que é o solucionador do problema da sustentabilidade, e não o causador. Quando compreende isso, passa a adotar práticas que permitem produzir alimentos de forma cada vez mais eficiente, reduzindo o impacto ambiental e contribuindo para alimentar a população sem custar mais ao planeta”.

A trajetória da Granja Real demonstra que sustentabilidade não depende do tamanho da propriedade, mas da adoção de tecnologias, do acompanhamento de indicadores, da busca constante por eficiência e do uso de nutrição que garanta o bom retorno produtivo. O reconhecimento no Programa Qualidade do Leite Começa Aqui evidencia que produzir leite de alta qualidade, com rentabilidade e menor pegada ambiental, é um caminho viável para a pecuária leiteira brasileira.

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