Flavia Cristina Figueiredo Silveira Lopes
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Consultora de Pecuária – Sucesso do Cliente
A gestão do trato em confinamentos de corte é um dos pilares para garantir eficiência, saúde animal e rentabilidade na pecuária moderna. Este artigo apresenta a evolução histórica do manejo alimentar, destacando como planejamento, tecnologia e qualificação da equipe se tornaram indispensáveis para atender à crescente demanda global por carne bovina. Abordamos as principais rotinas operacionais — da análise de consumo à gestão de estoque — e mostramos como ferramentas inteligentes, como o FarmTell® Beef, transformam dados em decisões estratégicas. Em um cenário competitivo, integrar processos e adotar soluções digitais é a chave para maximizar desempenho e consolidar a pecuária brasileira como referência mundial.
EVOLUÇÃO DO TRATO: ROTINA QUE GERA RESULTADO
Desde a década de 1960, quando surgiram os primeiros confinamentos de gado de corte no Brasil, o setor vem se modernizando. Saímos de dietas simples, baseadas principalmente em forragens picadas e pouco amido, com foco “experimental”, para confinamentos especulativos na década de 1980, cujo diferencial era fornecer animais terminados na entressafra, mas sem foco no ganho operacional. Após o Plano Real, os confinamentos brasileiros passaram por uma verdadeira profissionalização: os ganhos especulativos já não ocorriam na mesma intensidade, exigindo atenção aos ganhos produtivos e à eficiência da atividade. Nesse momento, os confinadores foram levados a aumentar o número de giros anuais e o manejo ganhou protagonismo. Não bastava apenas formular dietas; era preciso logística, gestão operacional, bem-estar animal e sanidade. Nesse ambiente inovador, softwares e análises de dados começaram a ser incorporados rotineiramente aos confinamentos.
Em 2025, alcançamos um marco histórico na pecuária brasileira ao nos tornarmos o maior exportador de carne bovina do mundo, egrande parte dessa produção passa por confinamentos. Para sustentar esse aumento de demanda, a gestão operacional tornou-se ponto-chave para resultados positivos. Dietas mais concentradas, menor uso de volumoso e aproveitamento de coprodutos da indústria buscam aumentar a eficiência biológica. O grande desafio atual é garantir que a dieta formulada seja efetivamente consumida pelos animais, potencializando desempenho sem comprometer a saúde e evitando oscilações de consumo. Nesse contexto, gerenciar o trato é essencial, pois envolve diversas rotinas diárias e vai muito além da leitura de cocho.
Antes de detalhar as atividades que compõem a gestão do trato, é importante ressaltar que uma boa gestão depende de um planejamento eficiente do giro. Planejar com antecedência as dietas, curvas de consumo, desvios aceitáveis, ingredientes substitutos, compras de insumos, estoques de segurança, indicadores, frequência de coleta e ferramentas de gestão é indispensável. Este artigo não tem como objetivo descrever o planejamento completo, mas reforçar que não existe gestão sem planejamento, nem senso crítico sem metas claras e compreensíveis.
Outro pilar fundamental são as pessoas. Investir em treinamento e qualificação da equipe é indispensável. Atribuições claras e critérios de sucesso permitem que o gestor do trato execute sua função com excelência. Esse profissional é o elo entre a estratégia do confinamento e a operação, responsável por análises do previsto x realizado, correção de desvios e decisões sobre ajustes no consumo. É uma função que exige conhecimento profundo da rotina operacional, nutrição, gestão de equipe, análise de dados e capacidade de resolver problemas. Quando bem treinado e munido de um plano tático estruturado, o gestor permite que técnicos sejam mais ousados nas formulações, potencializando desempenhos.
Para garantir agilidade e precisão na tomada de decisão, é essencial contar com plataformas integradas de automação e gestão, inteligência artificial e dashboards, como o FarmTell® Beef. Essa ferramenta concentra dados e permite análises rápidas e eficientes.
PRINCIPAIS ROTINAS PARA UMA GESTÃO DE TRATO EFICIENTE:
1. Análise do consumo do dia anterior: verificar consumo real x meta, utilizando parâmetros como matéria seca (MS) ou nutrientes digestíveis totais (NDT), analisados em %PV ou kg/ cabeça. A curva de NDT é mais estável em trocas de dieta. Desvios devem ser investigados (problemas operacionais, água, ingredientes, ajustes de MS). O FarmTell® Beef consolida essas informações em painéis de análise.
2. Leitura de cocho (noturna e diurna): enquanto a leitura noturna indica períodos sem alimento, comum no início do confinamento, a diurna atribui escores para ajustar consumo, considerando histórico, comportamento animal e ocorrências. Em dietas com alto NDT, é preciso cuidado com aumentos repetidos para evitar quedas posteriores.
3. Comportamento animal: avaliar postura e atividade (deitados, ruminando, ativos). Animais agitados ou em grande quantidadena linha de cocho indicam necessidade de ajuste.
4. Escore de fezes: indicador da saúde intestinal e qualidade da dieta. Deve ser feito com fezes frescas antes do primeiro trato.
5. Desvio de carregamento: monitorar ordem, quantidade e homogeneização da dieta. FarmTell® Beef registra desvios e gera relatórios.
6. Horário dos tratos: manter horários regulares reduz oscilações no consumo e risco de acidose.
7. Frequência e desvio de distribuição: avaliar divergências entre tratos para evitar distúrbios metabólicos.
8. Análise quantitativa e qualitativa da dieta: monitorar MS, fibra efetiva e padrão de moagem. Realizar análises bromatológicas e registrar ajustes no sistema.
9. Qualidade da água: limpeza diária dos bebedouros, especialmente nos primeiros dias.
10. Gestão de estoque: controlar dias de estoque e definir níveis de segurança para evitar faltas.
CONCLUSÃO ESTRATÉGICA
A gestão do trato em confinamentos de corte é muito mais do que uma rotina operacional: é um fator decisivo para garantir eficiência, saúde animal e rentabilidade. Cada atividade descrita neste artigo está interligada e influencia diretamente os resultados do confinamento. Investir em planejamento, qualificação da equipe e tecnologia é essencial para transformar dados em decisões assertivas. Plataformas inteligentes, como o FarmTell® Beef, permitem integrar processos, reduzir erros e potencializar desempenhos, consolidando a pecuária brasileira como referência mundial. Em um cenário cada vez mais competitivo, a evolução do trato não é apenas uma necessidade — é a chave para o sucesso sustentável no confinamento.

