Confinamento trabalha com cenário positivo no começo de 2026

Dr. Thiago Bernardino de Carvalho
Pesquisador Cepea/Esalq-USP

A terminação representando mais de 20% do abate fiscalizado no Brasil, a terminação de bovinos em confinamento ganhou força nos últimos anos e convive com as expectavas de crescimento para o ano de 2026, pautado nos custos relativamente mais baixos da dieta, assim como uma valorização do boi magro ainda menor que o animal pronto para o abate.

Dados do Tour de Confinamento dsm-firmenich/Tortuga®, realizado em parceria com o Cepea, mostram que os confinamentosacompanhados nestes últimos anos têm como composição dos custos a dieta representando de 20 a 30% do custo operacional, ficando a maior porcentagem, cerca de 60 a 70%, com a compra de animais, no caso o boi magro.

Analisando a relação de troca entre o boi gordo e, principal insumo, o milho (Figura 1), nota-se que o ano de 2026 começa muito vantajoso para a engorda intensiva no cocho, com patamares bem superiores em relação à média dos últimos quatro anos, mas também inferior a qualquer período entre janeiro e março.

No mês de março, com a venda de um quilo de boi gordo, o pecuarista conseguiu comprar 19,62 quilos de milho, patamares bem superiores à média de março dos anos de 2022 a 2026, que ficou em 15,2 quilos de milho comprados, sendo essa a expectativa em relação ao longo de 2026. Poder de compra acima da média, devido aospreços mais competitivos do milho, mesmo com a arroba do boi gordo podendo oscilar devido a períodos de desmame e cotas de exportação chinesas.

Para o boi magro, o cenário no começo de 2026 ainda é interessante para o terminador, que, apesar de observar preços em ritmo de valorização, veem altas menores do que o boi gordo no primeiro trimestre deste ano.

O ágio do boi magro em relação o boi gordo é o menor em mais de um ano, o que sinaliza o bom momento em termos de relação de compra para a engorda nesse começo do ano, aproximando-se também de patamares observados em momentos entre os anos 2022, 2023 e 2024 (Figura 2). O coeficiente no mês de março/26 ficou em 3,46%, ou seja, o boi magro em arrobas estava mais caro em pouco mais de 3% em relação ao boi gordo. Mas, no começo do ano, o patamar era de 10% para o boi magro.

Neste período de 2026, considerando preços reais do boi gordo e do boi magro (IGP-di demarço/26), o Indicador boi gordo Cepea/Esalq do Estado de São Paulo valorizou 10,15% entre janeiro a março, cotado em média R$ 350/2 em março, enquanto o boi magro valorizou apenas 3,63%, cotado a R$ 362/@ na praça de Presidente Prudente/SP, sinalizando a melhora na relação para o terminador.

Por outro lado, é importante notar que os preços do boi magro estão em patamares mais elevados que nos últimos quatro anos, sinalizando a necessidade de boa gestão de compra desses animais, assim como boa gestão de risco de preços do boi gordo, utilizando ferramentas de proteção de preços. E, principalmente dentro do confinamento, o uso de tecnologias para maximizar os ganhos produtivos e aumentar ganhos de escala, reduzindo relativamente os custos.

O cenário de 2026 começou e se desenha favorável para a pecuária e o confinamento, mas há a necessidade do trabalho de gestão de produção e comercialização de formas eficientes.

Leia também