Sergio Schuler: Fazer bem, fazendo o bem

Para o novo vice-presidente de ruminantes da dsm no brasil, a produção sustentável de proteína animal é a chave para a lucratividade e o futuro do planeta

Mylene Abud

De origem Suíça, mas de coração brasileiro, Sergio Schuler veio para o País aos cinco anos de idade. Morou em São Paulo e em Brasília, dividiu-se entre as Américas e a Europa em sua trajetória profissional e, agora, enfrenta um novo desafio: atuar como vice-presidente da DSM do negócio de Nutrição e Saúde Animal para Ruminantes Brasil, em substituição a Ariel Maffi, que se aposentará no fim deste ano.

Graduado em Biotecnologia pelo Federal Institute of Technology – ETH de Zurique, na Suíça, e com MBA em Administração de Empresas pela Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, Sergio Schuler tem mais de 20 anos de experiência internacional como executivo sênior em importantes cargos de gestão e acumula um vasto histórico de recuperação de negócios, sólida formação financeira e grande expertise em vendas e marketing. Começou sua carreira como consultor de negócios na Arthur Andersen antes de ingressar na Roche, onde atuou em várias funções de  marketing e vendas no Brasil e na Suíça. Entre 2005 e 2018, assumiu diversas funções de gestão com responsabilidades crescentes na Bayer e foi nomeado Chefe de Saúde Animal Latam Sul em seu último ano na empresa.

Agora, todo esse know-how será aplicado nos desafios da gestão da área de Ruminantes da DSM, em um momento positivo tanto para a pecuária como para a nutrição animal. Afinal, lembra Sergio Schuler: 2021 será o ano do boi no horóscopo chinês! E isso só pode significar boas perspectivas. “A pecuária está se tornando cada dia mais sustentável e a intenção da DSM de ser o líder nessa área, de tornar a proteína animal cada vez mais sustentável, é uma questão na qual me engajo pessoalmente e que me motivou a aceitar esse novo desafio”, conta o executivo na entrevista que você confere a seguir.

Noticiário Tortuga – Como se sente nessa nova etapa em sua carreira profissional agora na DSM, empresa global com mais de 100 anos de história, detentora no Brasil da marca Tortuga, que tem contribuído para a produção animal no País desde 1954?
Sergio Schuler – É uma honra estar à frente dos negócios da companhia. Para mim, foi uma mudança da área de saúde, na Bayer, para a da prevenção, da nutrição, em que eu acredito muito. É um mercado diferente, mas os clientes e o ambiente são similares. A DSM, com a aquisição da Tortuga, é líder nesse mercado, é uma empresa forte, que tem conceitos e valores que me atraíram bastante. Incluindo essa mudança de gestão nos últimos anos, com estratégias como o We Make it Possible (Nós tornamos isso possível), com a missão de liderar uma transformação robusta e viável em todo o mundo na produção sustentável de proteína animal.

Noticiário Tortuga – Isso tudo o motivou a escolher a DSM como a sua nova casa?
Sergio Schuler – A Sim. Primeiro, porque eu acredito muito na prevenção. Acho que vitaminas, minerais e suplementos são formas de você evitar problemas de saúde, tanto humana quanto animal. Sempre trabalhei com isso, nesse âmbito preventivo, na Bayer e na Roche, com vitaminas para as pessoas, fui gerente de multivitamínicos, do Supradyn, da vitamina C Redoxon globalmente, já tinha esse elo. E acredito que a melhor forma de tratar a saúde é com a prevenção. Ter uma boa alimentação, uma nutrição correta, evita doenças. Então, é melhor prevenir do que tratar doenças que, muitas vezes, são detectadas muito tarde. Eu saí do âmbito de vender mais antibióticos, que são tratamentos, para entrar nessa área mais preventiva e de nutrição animal, que é algo que me atrai já conceitualmente. E a DSM, com a proposta que eu tive de assumir o seu maior negócio, que é a área de Ruminantes, me atraiu muito. Não apenas ideologicamente, mas também pelo potencial futuro. A pecuária está se tornando cada dia mais sustentável e essa intenção da companhia de ser o líder nessa área, de tornar a proteína animal cada vez mais sustentável, é uma questão na qual me engajo pessoalmente e que me motivou a aceitar esse novo desafio.

Noticiário Tortuga – Como vê essa nova estratégia do negócio de Nutrição e Saúde Animal da DSM, centralizada no We Make it Possible?
Sergio Schuler – Esse projeto é fundamental e foi algo que me atraiu muito na decisão de trabalhar na DSM, essa visão e propósito com base no tripé People-Planet-Profit (PessoasPlaneta-Lucro). Fazendo o certo e o bem, a rentabilidade vem junto. Então, o propósito não é só gerar mais lucro para a empresa, mas sim ser primeiro sustentável tanto para as pessoas como para o meio ambiente, e o lucro vem automaticamente. Esse não é só um discurso bonito, mas verdadeiro e eficaz. E me chamou muito a atenção para a empresa.

O We Make it Possible se baseia em seis pilares, alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU): melhorar o desempenho ao longo da vida dos animais de criação; uso eficiente dos recursos naturais; reduzir as emissões da pecuária; ajudar no combate à resistência antimicrobiana; reduzir a dependência dos recursos marinhos; e melhorar a qualidade dos alimentos (carne, leite, peixe e ovos), ao mesmo tempo em que a perda e o desperdício são reduzidos. Ou seja, a DSM tem o objetivo de aplicar a ciência para o bem do Planeta.

Noticiário Tortuga – Fale um pouco sobre a sua trajetória. Quais os principais desafios no novo cargo e na área de Ruminantes?
Sergio Schuler – A área de Ruminantes e a pecuária vivem um bom momento. E, no setor de saúde animal, a pecuária representa acima de 50%, e mais ainda na área de nutrição animal. A Bayer, onde estive parte da minha carreira, passou por uma grande transformação. Com a compra da Monsanto, o foco maior ficou em agricultura e, neste ano, a empresa decidiu vender a parte de saúde animal para a Elanco. Estive à frente dessa mudança por três meses, consegui fazer a integração inicial das equipes dentro da empresa nova, e senti que era um bom momento para procurar novos desafios. E essa oportunidade na DSM caiu feito uma luva, tanto ideologicamente como em termos de timing.

Voltei ao Brasil em 2013, depois de passar 10 anos na Europa, entre Suíça, Itália e Irlanda. Na Bayer, era responsável pela área de Saúde Animal primeiro do Brasil e, depois, de Latam South, que envolve o Cone Sul. Fiquei sete anos à frente desse negócio. Meu background é em Bioquímica, sou graduado em Biotecnologia e tenho MBA em Administração de Negócios. E comecei minha carreira na área de pesquisa, em projetos de desenvolvimento de plásticos biodegradáveis, mais ecológicos. Até que senti falta de viabilizar esses projetos e passei para a parte de implementação. Sentia a pesquisa muito longe de se tornar realidade. Por isso, entrei no mundo administrativo. Trabalhei como consultor durante dois anos na Arthur Andersen, participei do desenvolvimento de projetos de saúde com laboratórios. Entrei na área de tecnologia na época da privatização da Telebrás, mas percebi que estava fugindo do escopo de saúde e nutrição. Então, voltei para o projeto inicial na Roche do Brasil, na área farmacêutica. Com vitaminas para humanos, comecei a trabalhar na aplicação prática da ciência, passando os estudos científicos para a realidade. E estou nisso até hoje, estudando a ciência e a química e tentando trazer isso para a prática.

Noticiário Tortuga – O que traz de suas experiências anteriores e da participação no Conselho Consultivo do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) para o novo cargo?
Sergio Schuler – Desde que voltei para o Brasil, em 2013, tenho atuado junto ao Sindan. Participei por quatro anos da diretoria, continuei como conselheiro, porque acredito que o conjunto como identidade da indústria tem muito mais força. É bem diferente você vir como empresa do que como setor para buscar melhorias junto às esferas governamentais, como a entrada de novas tecnologias, projetos de logística reversa, aprovação de novos medicamentos, obrigatoriedade de vacinas ou o combate à pirataria. Foram várias frentes levadas pelo sindicato, negociando principalmente com o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). A experiência foi muito boa e, agora, espero também contribuir para a representação do setor de nutrição animal, junto a entidades como a Asbram (Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais) e o Sindirações (Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal), defendendo as boas práticas sustentáveis para o futuro. Acho muito importante trabalharmos como setor.

Além dessa atuação junto ao Sindan, também trago as experiências das minhas funções prévias e os meus conhecimentos em estratégia de marketing, de go-to-market, de acessos ao mercado. Hoje, temos uma cadeia que é bastante complexa, desde o produtor nas fazendas até as indústrias de carne, e é importante essa união para trabalharmos juntos por uma pecuária mais sustentável. Além de integrar todos os canais, sejam os produtores, atendidos diretamente pela equipe da Tortuga, que é uma fortaleza, muito bem qualificada tecnicamente, assim como os outros canais, a indústria de ração, as cooperativas e as revendas. Um acesso multicanal. É importante lidar com os vários elos da cadeia de forma sinérgica, e não conflitiva.

As vendas diretas vão continuar, mas vimos, durante a pandemia, que há outros meios que temos que estudar. A DSM está crescendo muito na ampliação de seus canais, como a recente entrada no e-commerce pelo Magalu, uma nova via para chegarmos aos produtores. E não apenas ampliar esses canais, mas também pensar em outras formas de pagamento, indo do tradicional boleto bancário para outras opções, como Pix, cartão de crédito, financiamentos, trocas, para conseguir integrar mais o setor em um mercado dinâmico. Com a tecnologia, isso vai ficar cada vez mais possível, e eu trago minha experiência também nessa área digital.

Noticiário Tortuga – Como avalia o mercado de nutrição animal brasileiro?
Sergio Schuler – No Brasil, o mercado tanto da pecuária como da nutrição animal passa por um bom momento, 2021 será o ano do boi no horóscopo chinês! A demanda pelas exportações de carne bovina continua acelerada, ainda há os efeitos da Peste Suína Africana (PSA) na China, os preços da arroba seguem firmes e, com isso, a importância com a nutrição animal cresceu, os produtores estão vendo os benefícios da suplementação nos resultados. Estamos cada vez mais presentes nos top 100 de confinamento, pasto e leite. Em 2020, segundo a Asbram, a venda de suplementos animais cresceu 10% em volume. Realmente, o mercado de nutrição tem um futuro brilhante pela frente. Está havendo maior demanda por proteína animal na área de exportação, porque o mercado interno sofreu um pouco mais em razão da pandemia. Mas, mesmo assim, há uma crescente valorização na qualidade da carne, que é obtida justamente através de uma boa nutrição animal.

Os produtores também estão conseguindo entender cada vez mais os benefícios da ciência que está por trás dos produtos e os benefícios de uma boa suplementação, com o uso de leveduras, vitaminas, óleos, enfim, de todo o portfólio líder da DSM. Obviamente, o grão caro, que aumenta os custos do confinamento e da criação de aves e suínos, é um desafio para o produtor. Mas o bom preço na ponta tem compensado e o investimento em tem nutrição valido a pena.

Noticiário Tortuga – Quais as perspectivas para o setor nessa época de pandemia?
Sergio Schuler – São positivas e alguma hora as vacinas vão chegar. A demanda crescente por proteína animal continuará e esperamos, para 2021, o início da recuperação da economia. É o que as instituições financeiras falam, o que o Governo estima, que o PIB será positivo no próximo ano, com a retomada do consumo interno, mesmo que de forma lenta. Eu sou otimista por natureza e vejo as perspectivas com bons olhos, principalmente para a pecuária de corte.

Noticiário Tortuga – Aliando maior produtividade à sustentabilidade e ao bem-estar animal, podemos dizer que o futuro do setor é brilhante?
Sergio Schuler – Certamente! Quanto mais conseguirmos alinhar essas três vertentes, mais brilhante e duradouro o futuro será.

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