Resistência a antimicrobianos: uma preocupação para a produção animal?

Verônica Lopes Schvartzaid
Coordenadora de Marketing para Gado de Leite – DSM

Durante muitos anos, as infecções, desde as mais simples até as mais complexas, eram responsáveis por mortes no mundo todo, pela falta de fármacos eficazes no combate à ação de microrganismos, como os antibióticos. Hoje, isso parece estranho, mas, antigamente, uma simples ferida podia levar um indivíduo à morte por falta de um medicamento eficaz.

Com a descoberta das moléculas então nomeadas antibióticos e o desenvolvimento dessas para uso em casos de infecções e produções em escalas industriais, esse cenário mudou. E já na Segunda Guerra Mundial, milhões de soldados foram salvos com o uso da penicilina, a primeira molécula desenvolvida para esse fim, usada também no tratamento de doenças, como pneumonia, sífilis e gonorreia, que deixaram de ser fatais.

Além de cuidados para a saúde humana, outras aplicações passaram a ser desenvolvidas para os antibióticos, como o uso no tratamento de doenças animais e, também, como ingredientes da dieta de animais de produção, com função de promotores de crescimento, tratamento profilático ou mesmo metafilático. A necessidade mundial de maior produção de alimento exigiu o aumento de escala produtiva e a maior intensificação, o que só foi possível com o uso de tecnologias que permitissem maior desempenho zootécnico aliado à melhor saúde animal. Nesse cenário, os antibióticos tiveram um papel muito importante e, ainda hoje, são muito aplicados. Porém, o uso prolongado das moléculas de antibiótico e com baixo controle em todas as suas aplicações, tanto na medicina humana como na agropecuária, vem se tornando uma preocupação cada vez maior para a saúde. Isso porque, nos últimos anos, tem-se observado crescente resistência a antimicrobianos, exigindo o desenvolvimento de novas moléculas, e, ao mesmo tempo, colocando em risco tratamentos de diversas doenças.

A resistência a antimicrobianos é um fenômeno no qual os microrganismos lutam contra o tratamento com os antibióticos recomendados para inibi-los ou matá-los. Quando isso ocorre, deixa de existir uma terapia efetiva para a doença em questão. Há, ainda, o risco de contaminação de mais pessoas com esses microrganismos resistentes, o que gera uma preocupação ainda maior.

Segundo a Organização das Nações Unidades para a Alimentação e a Agricultura – FAO, estima-se que atualmente 700.000 pessoas morram todos os anos devido a infecções resistentes a antimicrobianos. E esse número pode aumentar muito e se tornar a principal causa de morte humana até 2050.

E o aumento da resistência a antimicrobianos é um risco não só para a saúde humana, mas também para a saúde animal, podendo haver maior dificuldade no tratamento de doenças. Esse fator não impacta somente a saúde, mas também a eficiência e a segurança da cadeia produtiva de alimentos, que tem um desafio enorme em alimentar a demanda crescente da população. A dificuldade de controle e a solução de doenças, ao tomar maiores proporções, pode provocar perdas de animais, riscos para a saúde do consumidor e menor disponibilidade de alimentos.

Ainda segundo a FAO, quando se trata do uso de antibióticos na produção animal, as estimativas são muito incertas, pois nem todos os países acompanham regularmente a aplicação dos medicamentos e grande parte do seu uso mundial está direcionado ao setor em questão. Essa situação é bastante sensível, pois, apesar da necessidade do uso de antibióticos para o tratamento de doenças, a promoção da saúde animal e a manutenção do bem-estar, sua utilização incorreta e excessiva pode contribuir para o aumento de bactérias resistentes.

Como forma de reduzir esse risco, diversos países começaram a trabalhar regulamentações mais rígidas para o uso de antibióticos na produção animal, principalmente em relação à sua utilização na nutrição. Desde 2006, a União Europeia proibiu a aplicação de antibióticos como promotores de crescimento na dieta de animais de produção. No Brasil, vemos iniciativas para restringir o uso de antibióticos como promotores de crescimento que, também, têm uso na medicina humana, conforme recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse é um caminho sem volta, sendo provável que tenhamos cada vez mais restrições e redirecionamento sobre o uso desses medicamentos na produção animal.

A boa notícia é que existem diversas estratégias para promover mais saúde e bem-estar aos animais, o que reduz a incidência de doenças e, consequentemente, a necessidade do uso de antibióticos como terapia. Ao mesmo tempo, já há alternativas que podem substituir o uso de antibióticos na nutrição como promotores de crescimento. Um exemplo são os óleos essenciais, compostos bioativos com modo de ação semelhante ao dos antimicrobianos e com resultados zootécnicos bastante positivos. Para a nutrição de ruminantes, a DSM possui o Crina Ruminants, que se enquadra nessa categoria e está presente no portfólio para animais de corte em confinamento e vacas de leite.

O produto Bovigold Crina contém a molécula que substitui o uso de antibióticos e, além disso, promove maior produção de leite e com maior teor de sólidos. É o que os estudos científicos mostram, assim como a prática de campo. Aliado às demais tecnologias presentes na solução, como vitaminas ADE, Minerais Tortuga, adsorvente de micotoxina e biotina, entre outros, também é possível observar menor incidência de problemas de casco e maior saúde de úbere.

A redução do uso de antibióticos é um trabalho de todos os sistemas produtivos. Por isso, para o gado de corte a pasto, é possível buscar mais saúde através da nutrição. Como exemplo, o Fosbovi Reprodução tem em sua composição os Minerais Tortuga, que promovem a melhoria do desempenho produtivo e reprodutivo e, ainda, incrementam a imunidade animal, reduzindo a probabilidade de doenças e, dessa forma, o uso de antibióticos.

Assim como hoje discutimos aqui os desafios que existiam no passado para tratar as simples infecções, em alguns anos, estaremos debatendo como a cadeia de produção de alimentos se adaptou e cresceu para prover alimentos para toda a população mundial, respeitando os limites do planeta e aliada à evolução da saúde humana e animal. O caminho de sucesso é a intensificação e o aumento da produtividade, que exigem a adição de tecnologias, gestão e suporte técnico para a potencialização de resultados. E, diariamente, vemos passos maiores nessa direção.

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