Programa Qualidade do Leite começa aqui! 2020 compartilha conhecimentos para o pecuarista produzir mais e melhor

Realizada on-line em função da pandemia, a nona edição do programa da DSM reuniu um time de especialistas para debater a melhoria da qualidade do leite na produção nacional

Mylene Abud

Quatro encontros virtuais, realizados semanalmente em outubro, marcaram a 9ª edição do Programa Qualidade do Leite Começa Aqui!, promovido desde 2011 pela DSM, detentora da marca Tortuga®, e que já entrou para o calendário de eventos mais importantes do setor. A programação, a cargo do time de Pecuária de Leite da área de Ruminantes da empresa, teve como foco o compartilhamento de conhecimentos e o debate de temas essenciais para capacitar ainda mais os produtores em torno da qualidade do leite.

“O Programa Qualidade do Leite Começa Aqui! (PQLCA) tem como objetivo dar suporte e fomentar a melhoria da qualidade do leite dentro do nosso País. Hoje, a DSM é a empresa de nutrição animal com a linha de ingredientes mais abrangente, contendo desde enzimas, vitaminas, carotenoides e os Minerais Tortuga® – que são melhor absorvidos pelo organismo – até ferramentas. Todos esses componentes vão ajudar no dia a dia da fazenda, trazendo mais resultados e levando soluções melhores aos nossos clientes”, avaliou Verônica Lopes, coordenadora da categoria Gado de Leite da área de Ruminantes da DSM, na abertura do evento.

Na sequência, Marcelo Machado, gerente técnico da categoria Leite da DSM, fez um balanço dos números registrados nas oito edições anteriores do PQLCA, realizadas anualmente desde 2011. Em oito anos, foram avaliadas 1.207.187 vacas em lactação, 20.474 fazendas em 14 estados e distribuídos 267 prêmios. Até a 8ª edição, os dados eram coletados pelas fazendas participantes do Programa durante sete meses. No final do ano, os prêmios eram entregues em uma reunião de confraternização.

Em 2020, em função de pandemia, o Programa foi concebido em um formato especial. “Mas estamos muito contentes com os resultados dessa adaptação, porque, ao invés de premiarmos os nossos grandes produtores que têm como diferencial um leite de altíssima qualidade, a premiação será para todos os produtores através de muita informação e discussão boa, para que eles possam trabalhar ainda melhor a questão da qualidade do leite. E, em 2021, estarem prontos para termos uma competição bem forte dentro do PQLCA”, destacou a coordenadora de Gado de Leite, Verônica Lopes.

APRIMORANDO A QUALIDADE
Realizado em 5/10, o primeiro encontro trouxe a produtora Patrícia Kompier, da Fazenda Brasilanda, empresa familiar do Grupo Kompier sediada em Montividiu, próximo a Rio Verde (GO), e o médico-veterinário da fazenda, Marcelo Junqueira, que mostraram como a qualidade do leite é trabalhada na propriedade, com base no sincronismo da equipe, na força feminina, no desenvolvimento e treinamento de pessoas, além de equipamento de ordenha muito bem ajustado e manejo.

Já o Professor Marcos Veiga, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZUSP), abordou o tema Melhorando a qualidade do leite a partir de manejo e tratamentos. “A qualidade do leite tem um conjunto de critérios ligados à sua composição e a todo o trabalho que a fazenda faz em termos de produção, incluindo a nutrição. E a Contagem de Células Somáticas, que faz parte da avaliação da qualidade do leite, é um termômetro do índice de saúde da glândula mamária”, informou, destacando os fatores que afetam a CCS. “Podemos afirmar que 90% de todas as variações em CCS estão ligadas a infecções na glândula mamária e 10% a outros fatores, como estágio de lactação, idade da vaca, produção de leite e sazonalidade”, completou.

ESTRATÉGIAS NUTRICIONAIS PARA A MELHORIA DOS SÓLIDOS DO LEITE
Na semana seguinte, no dia 13/10, a pauta do encontro abordou as Estratégias nutricionais para a melhoria dos sólidos do leite. Apresentado por Diego Magro, gerente técnico regional Sul para Bovinos de Leite da DSM, o tema foi debatido pelo Prof. Rodrigo Almeida, do Programa de Pós-graduação em Zootecnia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “O leite tem em sua composição 12,5% de sólidos (lactose, gordura, proteína e minerais) e 87,5% de água. E, para a indústria, gordura e proteína são os sólidos mais importantes”, ressaltou o professor. “A arte dos nutricionistas de vacas leiteiras é ter um bom sincronismo e adequados aportes de CNF (Carboidratos Não Fibrosos, que representam o ‘fogo’) e FDN (Fibra Detergente Neutro, que é a ‘água’). É esse ‘casamento’ que faz vacas produtivas e saudáveis”, ensinou o professor.

Na sequência, o produtor Márcio Lewe, da Agropecuária Lewe, do Rio Grande do Sul, falou sobre a participação de sua propriedade no programa da DSM dentro da fazenda, com foco em nutrição.

MELHORANDO OS ALIMENTOS NA FAZENDA E A QUALIDADE DO LEITE
Esse foi o assunto do encontro de 19/10, apresentado por Alceu Miguel, Assistente Técnico Comercial da DSM, com palestra do Prof. do Departamento de Nutrição Animal da Universidade de Wisconsin (EUA), Luiz Ferraretto, que abordou o tema Produzindo silagem de qualidade para o melhor desempenho produtivo. Segundo o professor, a combinação de maior densidade de plantas e maior altura de corte pode melhorar a qualidade da produção sem comprometer o rendimento. “A maior digestibilidade leva à maior ingestão e à maior produção. E a maior concentração de amido permite reduzir o milho na dieta em locais onde o preço é mais alto, e, assim, acaba barateando o custo. Mas, para fazer esse tipo de manejo, é preciso ter área suficiente”, esclarece.

Após a fala do professor Ferraretto, Caio Cordeiro, representando o produtor Marcos Epp, contou um pouco da história dos 52 anos de atividade da Agropecuária Régia (PR), que já está na terceira  eração da família. Premiada no Programa Qualidade do Leite Começa Aqui! em 2018, a propriedade investe em instalações, tecnologia, melhoramento genético, nutrição e Integração-Lavoura-Pecuária para uma produção de alta qualidade.

ONDE ESTAMOS E AONDE QUEREMOS CHEGAR?
A melhoria da qualidade do leite: onde estamos e aonde queremos chegar foi abordada na palestra que fechou, no dia 26/10, a programação do Qualidade do Leite Começa Aqui! 2020. Com a apresentação de Juliano Sabella, diretor de Marketing de Ruminantes da DSM, Jefferson Pagno, coordenador de Pecuária de Leite da Frísia Cooperativa Agroindustrial, e Selvino Giesel, assessor de Lácteos da Aurora, os debates giraram em torno do tema: O trabalho da indústria na busca de qualidade em parceria com os produtores, cadeia e o futuro na visão da Frísia e da Aurora.

Outro destaque da última etapa foi a participação de Paulo Martins, chefe-geral da Embrapa Gado de Leite (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), que falou sobre Oportunidades e desafios da cadeia: como a evolução da qualidade do leite está envolvida nesses processos?

“Leite é uma ‘árvore’ que dá uma série de produtos diferenciados, 70 derivados, 90 componentes. O produtor de leite produz um insumo que é fundamental para a atividade industrial. E a  indústria brasileira cada vez mais vai precisar de produtos de qualidade”, assegurou, acrescentando que, nas propriedades que se dedicam à atividade leiteira, está havendo uma revolução  silenciosa, com a tecnologia permitindo uma maior concentração de produção em menores espaços. “O novo consumidor mudou a lógica de produção e o bem-estar animal passou a ser requisito fundamental”, sentenciou.

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