O tão falado “Preço do Boi”

Indicador CEPEA/B3, referência para o mercado pecuário, aproxima-se dos 30 anos e aposta na tecnologia para potencializar a coleta de dados

Equipe Cepea

Qual é o preço do boi hoje? Essa pergunta é bem comum nas regiões de pecuária e, fácil como vem a pergunta, sai a resposta. Parece intuitivo para quem vive neste meio saber qual é o preço do boi. Todo mundo “sabe” quanto está o boi! Sabe, mas nem sempre concorda, e o assunto rende muita conversa.

Informar o preço do boi todo santo dia útil é um desafio que o Cepea – Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP, se dispõe a fazer há quase 30 anos – a serem completados em março/24. Faça sol ou faça chuva! Nem nos períodos de greve de funcionários da Universidade de São Paulo, em que o campus da Esalq, em Piracicaba/SP, foi bloqueado, o Indicador deixou de ser feito.

Quase 30 anos de pesquisa permite à equipe do Cepea ter segurança no uso das ferramentas metodológicas e, também, na adoção de novas tecnologias que aprimorem a elaboração do Indicador. Esta é a frente na qual o Centro tem investido!

Paralelamente às tradicionais ligações telefônicas para apurar os preços e todas as condições que envolvem cada negociação, são também disponibilizados aos colaboradores – compradores e vendedores – aplicativo (uma nova versão ficará pronta no início do ano), e-mail e número de WhatsApp exclusivo e auditado para o envio de informações sobre os negócios fechados (efetivamente realizados) por eles.

Aos frigoríficos, que concentram grande volume de negócios, são oferecidas ainda outras plataformas para o encaminhamento de dados e documentos relativos às compras. Algumas indústrias já enviam diariamente dados de forma eletrônica ao Cepea, que segue em tratativas com outras.

Essas providências contribuem para o aumento do número de dados que compõem a amostra inicial e dão maior robustez ao Indicador. Todo o processo de apuração, cálculo e divulgação conduzido pelo Cepea segue protocolos com aderência às normas da Iosco – Organização Internacional de Valores Mobiliários (em português) e é submetido periodicamente à auditoria. Recebe, ainda, a supervisão permanente da B3.

A equipe de pesquisadores sabe o compromisso que tem com o setor. Quem compra ou vende boi, ou mesmo terra e outros bens avaliados em arroba, sabe que pode confiar no Indicador do Cepea/Esalq. Se é dia útil, logo depois das 18h, ele vai apontar o preço médio do boi gordo no estado de São Paulo, praça tradicionalmente balizadora do preço, que reúne o segundo maior rebanho de confinamento do País.

Ainda que o Indicador cause descontentamentos pontuais por parte de quem “vê” o mercado diferente do refletido pelo número, o Indicador é a principal referência de preço para a pecuária brasileira e, dada a sua importância global, também é seguido de perto por operadores de todo o mundo. O Indicador Cepea/B3 mantém relação estatisticamente moderada-forte com os preços internacionais de carne bovina apontados pela FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Também são disponibilizados, nas plataformas da Agência Estado, Bloomberg e Thomsom Reuters, empresas que mantêm parcerias com o Cepea há cerca de duas décadas para divulgar seus dados e análises agropecuárias.

Pioneirismo do indicador

A Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), atual B3, merece todo o reconhecimento por ter sido a demandante deste Indicador lá em 1992, mantendo-se até hoje como sua financiadora.

Naquela época, as negociações futuras de boi eram liquidadas com a entrega física dos animais em currais espalhados pelo estado de São Pauto, o que limitava a participação de agentes financeiros no mercado futuro do boi gordo. No final do contrato, quem comprava precisava receber bois, e quem vendia tinha de entregar animais. Era necessário um instrumento confiável que substituísse essa entrega física.

O Indicador Esalq/BM&F nasceu incumbido de representar o preço médio do boi gordo descrito, até hoje, da seguinte forma no contrato da Bolsa: “Bovinos machos, com 16 arrobas líquidas ou mais de carcaça, e idade máxima de 42 meses.”

O desafio era grande. Seria o primeiro Indicador de Preços do Cepea! A equipe que assumiu a empreita tinha, simultaneamente, base teórica para a formulação de um indicador de preços consistente e fôlego para correr as regiões pecuárias do estado, entendendo a dinâmica do setor, convidando pecuaristas, escritórios de comercialização, leiloeiras, frigoríficos que viriam a ser os primeiros “Colaboradores do Cepea” – hoje, na casa de milhares.

Em março de 1994, começou a ser divulgado o Indicador do Boi Gordo Esalq/BM&F. Pouco tempo depois, o Cepea passa a disponibilizar preços médios do boi, bezerro e vaca também em regiões de outros estados. Em 2000, a pesquisa sistemática passou a ser feita sobre os preços da carne com osso no atacado da Grande São Paulo, maior mercado consumidor do País. Atualmente, são 28 regiões com divulgação diária dos produtos pecuários – valores à vista, a prazo e escalas de abate – mais a carne no atacado.

Uma coisa puxa a outra e, claro, custos de produção também passaram a integrar a família Pecuária de Corte Cepea. Em parceria com a CNA – Confederação da Agricultura e Pecuária, desde 2002, o Cepea pesquisa os custos dos sistemas típicos em dezenas de regiões brasileiras.

Suas bases de dados contêm todos os detalhes de uma propriedade típica de cada região, além dos preços pagos localmente pelos produtores. São informações valiosas para a gestão e as políticas voltadas ao setor. São os números que representam a pecuária do Brasil no comparativo internacional Agri benchmark desde 2006. A propósito, este comparativo comprova que a carne brasileira é uma das mais competitivas do mundo. De fato, não é à toa que o Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina. Tem produto e informação de qualidade.

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