O desafio da sustentabilidade

Agronegócio e biodiversidade são duas das maiores riquezas do Brasil. E, também, perfeitamente compatíveis. Mas o que fazer para garantir o desenvolvimento do agro mundial de forma sustentável a partir de agora?

Mylene Abud

Com essa pergunta na cabeça, a DSM, empresa global baseada em ciência para Nutrição, Saúde e Vida Sustentável, assumiu para si o papel de liderar a mudança que irá transformar a indústria de nutrição e saúde animal ao conduzir as conversas globais e ajudar a solucionar os grandes desafios atuais enfrentados pela sociedade.

A sustentabilidade faz parte do DNA da DSM, que começou as atividades como uma companhia de mineração do governo holandês e foi se transformando e inovando ao longo do tempo. Há mais de 15 anos, a empresa está envolvida em diversas iniciativas voltadas à melhoria do clima do planeta e ao uso de energia sustentável para a criação de um futuro melhor para todos. Preocupação essa estendida a todos os seus produtos e serviços, desenvolvidos com base em tecnologias que visam a reduzir drasticamente as emissões de carbono.

Para colaborar com este movimento, o negócio de Nutrição e Saúde Animal da DSM centralizou sua estratégia no We Make it Possible (Nós tornamos isso possível), com a missão de liderar uma transformação robusta e viável em todo o mundo na produção sustentável de proteína animal e acelerar soluções que promoverão um futuro mais brilhante.

Alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), a iniciativa se baseia em seis plataformas, que refletem o compromisso da companhia de ser um agente de mudança, conduzindo diálogos globais, conectando diversos públicos de interesse do sistema agrícola, pensando no futuro, gerando ideias e novas formas de trabalhar (ver Box).

Esse novo posicionamento estratégico baseado em sustentabilidade, que já vinha sendo difundido internamente para todos os colaboradores, agora começa a ser estendido externamente para clientes e fornecedores.

“A sustentabilidade faz parte de tudo o que fazemos, desde os projetos até a chegada dos produtos aos consumidores. E não é um braço separado, mas sim um valor da companhia, com base no tripé People-Planet-Profit (ou Pessoas-Planeta-Lucro, em Português). Ou seja, todas as nossas ações têm como objetivo impactar positivamente as pessoas e o meio ambiente e gerar renda”, afirma Augusto Adami, vice-presidente de Nutrição e Saúde Animal da DSM para a América Latina.

“Temos a sustentabilidade como o principal motor do nosso negócio e, para ser um porta-voz em ações climáticas, é importante dar o exemplo”, corrobora Carlos Saviani, Líder Global de  Sustentabilidade da DSM. E ele sabe bem do que está falando. Zootecnista com MBA e pós-graduação em Marketing, Saviani trabalhou por cinco anos no WWF – World Wildlife Fund, liderando estratégias de sustentabilidade na área de produção animal.

“Na DSM, gerenciamos de perto nossa redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), visando a uma redução absoluta de 30% das emissões diretas da empresa e de nossa energia comprada até 2030, além de diminuir as emissões indiretas da cadeia de valor (o escopo 3 – aquilo que vem dos nossos fornecedores) em 28% por tonelada de produto produzida no mesmo período (metas alinhadas ao Acordo de Paris). Também definimos um objetivo de longo prazo para atingir emissões líquidas zero antes de 2050 e somos signatários da Renewable Energy 100 (RE100) do Climate Group, tendo como objetivo intermediário que, até 2030, 75% de nossa eletricidade comprada sejam obtidas de fontes renováveis”, informa o executivo.

Lembrando que a missão da DSM é produzir vidas brilhantes, o diretor de Marketing da empresa, Juliano Sabella, questiona: “Que mundo estamos construindo para as próximas gerações?
Com a pandemia, ficou bem claro que precisamos mudar e que é possível garantir um mundo mais sustentável começando agora. E nós estamos dispostos a ser essa mudança, sem delegar a ninguém, começando por nós mesmos”.

ACELERANDO O AGRO COM SUSTENTABILIDADE
Para alimentar uma população mundial estimada em nove bilhões de pessoas em 2050, será necessitário a produção de quase o dobro de alimentos disponíveis atualmente. E a demanda por proteína animal será 70% maior, alerta Augusto Adami. “Como a produção de proteína animal exige muitos recursos naturais, é preciso produzir mais com menos”, alerta. “Com a produção animal contribuindo com 14,5% das emissões mundiais de Gases de Efeito Estufa (GEE), é essencial tomarmos medidas agora – especialmente quando você considera que o mundo exigirá mais de 40  milhões de toneladas de carne e 25 milhões de toneladas de peixes por dia até 2026. Reduzir não apenas os GEEs, mas também os resíduos de Nitrogênio (N) e Fósforo (P) de estrume animal nos solos, oceanos e na água doce, é uma prioridade urgente para o mundo”, adverte Carlos Saviani.

E como levar essa sustentabilidade também para os produtores do campo? Carlos Saviani, Augusto Adami e Juliano Sabella são unânimes: o primeiro passo para se tornar mais sustentável é ter consciência desses números, mensurando os impactos ambientais de cada um dos produtos e tornando essas informações transparentes aos clientes. “Se todos os envolvidos na cadeia de  produção, incluindo frigoríficos e laticínios, quiserem realmente melhorar a sustentabilidade dos produtos que oferecem ao consumidor, precisam conhecer as pegadas ambientais da cadeia de proteínas em todas as etapas, começando pela nutrição animal”, afirma Carlos Saviani, acrescentando que, para medir o impacto de seus produtos e serviços, a DSM utiliza 16 métricas diferentes,
que incluem as emissões de carbono, o uso da água e da terra, entre outros fatores.

Um segundo momento, prossegue Saviani, passa por ajudar os produtores a conhecerem e melhorarem o seu impacto ambiental. “Ou seja, trabalhamos em duas frentes: garantindo que o Kg de vitamina, mineral ou aditivo produzido tenha uma pegada menor e mensurando e provando que essas medidas também atenuam o impacto ambiental dos nossos clientes”, sintetiza o Líder Global de Sustentabilidade da DSM.

Ele explica que o papel dessa melhoria em nutrição animal é muito grande, uma vez que a nutrição representa de 50% a 80% do impacto nas pegadas ecológicas. Daí a responsabilidade da cadeia
de produção de proteína animal no tocante à mudança. E dá para melhorar e aumentar a produtividade e a rentabilidade ao mesmo tempo. “A sustentabilidade traz uma série de oportunidades para agregar valor para a produção. É uma relação de ganha-ganha para o planeta e os produtores. Os aditivos nutricionais, além de melhorarem a produtividade e a rentabilidade, também precisam ser vistos como componentes-chave em programas de sustentabilidade”, assevera Carlos Saviani.

TORNANDO POSSÍVEL AGORA
Além de figurar entre as seis plataformas que balizam a iniciativa estratégica da DSM, evitar o desperdício é uma ferramenta potente para otimizar os recursos, segundo Augusto Adami. “Através de nossos produtos, estamos contribuindo para alimentar o maior número de pessoas com menor emissão de carbono, oferecendo soluções tecnológicas que permitem aos produtores otimizar a produção e ter competitividade”, salienta.

“Na área de Ruminantes, vamos continuar investindo cada vez mais em tecnologias que aumentem a eficiência pecuária de forma sustentável”, afirma Juliano Sabella, diretor de Marketing Ruminantes Brasil da DSM. Ele cita como exemplo o Hy-D®, metabólito da vitamina D3, que, quando aplicado na dieta de bovinos de leite e de corte em sistemas de confinamento, permite
que os animais produzam mais utilizando os mesmos recursos. E a tecnologia Rumistar™, primeira enzima Alfa-amilase pura desenvolvida para atuar no ambiente ruminal, proporcionando
melhor aproveitamento do amido na dieta do rebanho.

O Hy-D® também é destacado por Augusto Adami na redução do desperdício: “Quando utilizado na criação de galinhas para a produção de ovos, ele diminui a fragilidade da casca e, automaticamente, as perdas por quebras. Dessa forma, otimiza o uso das matérias-primas, como água, terra e insumos, produzindo mais com menos”. Ele ressalta, ainda, as soluções da empresa com carotenoides e vitaminas, que proporcionam o aumento do tempo de prateleira dos alimentos, e os eubióticos, que substituem os antibióticos, melhorando a funcionalidade gastrointestinal dos animais.

E já está em processo de registro o Bovaer®, produto que prevê a diminuição da emissão de metano dos bovinos em até 30%. “Isso é bastante expressivo, considerando-se que o Brasil tem o maior rebanho comercial do mundo”, analisa Juliano Sabella.

“Quando estava no WWF, o Bovaer® me chamou a atenção para o propósito da DSM, disposta a investir milhões de dólares para desenvolver um produto focado em reduzir as emissões de metano (um dos mais potentes Gases de Efeito Estufa), em dar mais sustentabilidade à produção animal. E isso veio ao encontro dos meus valores”, conta Carlos Saviani.

O FUTURO BRILHANTE ESTÁ SÓ COMEÇANDO
Para Augusto Adami, não podemos nos esquecer de que a sustentabilidade é ancorada pela inovação e pela ciência. “Estas são as bases para passar da teoria à prática e são valores da DSM. A partir da ciência, é possível consolidar as seis plataformas da iniciativa estratégica da companhia, e a inovação é a mola propulsora para garantir a sustentabilidade daqui para o futuro”, sentencia.

E cita a intensificação da digitalização, impulsionada pela pandemia de Covid-19, para agilizar a coleta de dados e a sua transformação em informações. “O futuro da nutrição passa por ferramentas digitais e pela nutrição de precisão. Quanto mais ajustada a dieta, melhor será o seu aproveitamento pelo organismo e a performance dos animais. Com o uso de soluções tecnológicas e de posse das informações do impacto ambiental desses produtos, o pecuarista também vai poder mensurar as suas pegadas de carbono. Além de contribuir para o bem-estar animal e o meio ambiente, ele poderá usar esses dados para o fortalecimento da marca, comunicando ao consumidor o que estão fazendo de positivo para a sustentabilidade do planeta”, argumenta o vice-presidente de Nutrição e Saúde Animal da DSM para a América Latina, Augusto Adami.

Além de trabalhar para oferecer soluções tecnológicas e produtos inovadores embasados nas seis plataformas de sua nova estratégia, entre os planos da DSM no Brasil está oferecer um serviço em sustentabilidade para ajudar os clientes pecuaristas a medirem e gerenciarem as suas emissões. “Os produtores vão usar as nossas tecnologias para produzir mais com menos e poderão contar com a nossa estrutura para se tornarem mais sustentáveis”, destaca Juliano Sabella.

“Dá para fazer essa mudança, aliando sustentabilidade, produtividade e bem-estar animal. E todo o setor e a cadeia juntos e no mesmo caminho. A jornada começou. We make it possible”, finaliza o Líder Global de Sustentabilidade da DSM, Carlos Saviani.

Alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU)*, o We Make it Possible (Nós tornamos isso possível) se baseia em seis pilares:

1. Melhorar o desempenho ao longo da vida dos animais de criação. Aumentar a produtividade média dos produtores de alimentos, melhorando a saúde dos animais em todas as fases da vida com foco na redução da incidência de doenças e na melhoria da eficiência produtiva por meio de soluções nutricionais balanceadas para cada necessidade, bem como na diminuição de gases poluentes e na rentabilidade dos produtores, ajudando o impulsionamento do setor.

2. Uso eficiente dos recursos naturais. Apoiar a indústria de nutrição animal na redução do uso dos recursos naturais como utilização consciente da água, menor uso de fosfatos provenientes de rochas, desmatamento zero, e impulsionar a utilização de fontes alternativas de alimentos para um crescimento sustentável.

3. Reduzir as emissões da pecuária. Globalmente, as emissões de Gases de Efeito Estufa associados à pecuária correspondem a 7,1 gigatoneladas (Gt) de dióxido de carbono equivalente (CO2eq) por ano, o que representa 14,5% de todas as emissões de GEE de origem humana. As principais fontes dessa emissão são a produção de ração e volumosos (45% do total), a fermentação entérica de ruminantes (39%) e a decomposição de estrume (10%). A produção de carne e leite é a maior responsável pela maioria das emissões, contribuindo respectivamente com 41% e 19% das emissões do setor **. A DSM quer incentivar a utilização dos componentes aplicados na criação dos animais com baixas emissões de GEE. Por isso, integra medidas climáticas para combater tais efeitos em políticas nacionais, de estratégia e de planejamento em todo o negócio.

4. Ajudar no combate à resistência antimicrobiana. A substituição dos antibióticos por aditivos inovadores, como eubióticos e enzimas, é cada vez mais necessária para garantir a saúde das espécies. Com a junção de uma nutrição vitamínica adequada, é possível melhorar os índices zootécnicos dos animais.

5. Reduzir a dependência dos recursos marinhos. Reduzir a dependência dos recursos marinhos para alimentação de peixes, criando fontes alternativas de Ômega-3, e melhorar os valores  nutricionais dos produtos em aquacultura para evitar o excesso da pesca predatória.

6. Melhorar a qualidade dos alimentos (carne, leite, peixe e ovos), ao mesmo tempo em que a perda e o desperdício de alimentos são reduzidos. Tornar todo o processo da cadeia produtiva mais eficiente e sustentável, combatendo a perda e o desperdício de alimentos. Com soluções baseadas em pesquisas científicas, o objetivo é melhorar a eficiência dos sistemas alimentares, fornecendo uma nutrição adequada para as diferentes espécies da cadeia. A meta da companhia é reduzir a perda e o desperdício de alimentos em 50% até 2030.


* OECD-FAO Agricultural Outlook 2020-2029. http://stats.oecd.org/Index.aspx?DataSetCode=HIGH_AGLINK_2020
** Tackling climate change through livestock. Food and Agriculture Organization of The United Nations (FAO). 2014. http://www.fao.org/ag/againfo/resources/en/publications/tackling_climate_change/index.htm

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