Micotoxinas: um risco para a pecuária leiteira?

Cristina Cortinhas
Supervisora de Inovação e Ciência Aplicada Ruminantes da DSM

Nos últimos anos, tem sido crescente a busca por uma melhor eficiência produtiva e, com isso, alguns problemas têm emergido. Nesse contexto, aumentou-se o uso de alimentos conservados, como silagens e fenos, de diferentes subprodutos e de alimentos energéticos. Porém, esses alimentos também podem oferecer riscos aos animais, como o aparecimento das micotoxinas. Uma pesquisa realizada mundialmente pela DSM em 2021 apontou que, na América Latina, cerca de 62% dos alimentos destinados à alimentação animal estão contaminados com essas micotoxinas.

Micotoxinas são metabólitos secundários, produzidos por muitos fungos filamentosos dos gêneros Aspergillus, Fusarium e Penicillium, que podem causar respostas tóxicas quando ingeridos. A contaminação por micotoxinas na nutrição animal é um problema mundial, pois causa imunossupressão, aumento na prevalência de diversas doenças, redução na eficiência produtiva e problemas reprodutivos. Mais de 500 diferentes tipos de micotoxinas já foram identificados, porém somente seis são de maior relevância para a pecuária leiteira: deoxinivalenol (DON), fumonisina (FUM), aflatoxina (AFLA), zearalenona (ZEA), Toxina T2 e ocratoxina (OTA). Nos gráficos estão descritas as principais micotoxinas encontradas no milho, soja, DDGS (grãos secos de destilaria de milho) e forragens (levantamento realizado no Brasil pela DSM, em 2021). Também foram avaliadas amostras de vários subprodutos, como caroço de algodão, polpa cítrica e casca de soja, entre outros.

As micotoxinas se tornam uma preocupação ainda maior quando observamos que sua ocorrência raramente é de forma isolada e que, com isso, efeitos sinérgicos ou adicionais podem ocorrer. Existem grupos de bactérias ruminais com a capacidade de degradar micotoxinas, porém o alto consumo de dieta aumenta a taxa de passagem, o que leva a uma redução no tempo para que ocorra a detoxificação no rúmen e, consequentemente, a redução na degradação das micotoxinas. Além de consumir maior quantidade de alimento, uma vaca mais produtiva, muitas vezes, tem uma dieta mais “desafiadora”, com maior quantidade de energia. Com isso, ocorre redução no pH ruminal, alteração na microbiota e diminuição ainda maior na detoxificação que ocorre no rúmen. Dessa forma, torna-se evidente que não somente o nível de contaminação da dieta é fator determinante para a ocorrência de uma micotoxicose (nome que se dá à doença causada pela ingestão de alimentos contaminados por micotoxinas), mas outros fatores, como consumo e tipo de dieta, tipos de micotoxinas e interações entre elas, são também muito importantes. Na figura 2, estão descritos os principais efeitos das micotoxinas.

Para auxiliar no combate contra as micotoxinas, surgiram, há décadas, os adsorventes. Os mais comumente encontrados no mercado são os adsorventes de micotoxinas inorgânicos (minerais), as argilas organofílicas (exemplos: alumínio silicato e bentonita) e adsorventes orgânicos (paredes de leveduras). No entanto, diversos testes in vitro demonstraram que os adsorventes mais comuns têm boa eficácia contra a AFLA, mas baixa contra outras micotoxinas importantes, como a DON, ZEA e FUM.

Por este motivo, a biotransformação já é considerada a melhor e mais completa maneira para a solução do risco de micotoxinas em dietas de animais de produção. E apenas uma empresa possui essa tecnologia, a DSM.

Para a biotransformação, a BIOMIN, empresa que recentemente passou a ser parte da DSM, desenvolveu uma combinação de enzimas específicas e componentes biológicos que converte micotoxinas em metabólitos não tóxicos. Essa combinação é composta pela Biomin® BBSH 797, enzima que inativa os Tricotecenos (ex. DON e T2), a Biomin® MTV, levedura que produz enzimas específicas que desintoxicam especificamente a ZEA no trato intestinal dos animais, e a FUMzyme®, enzima específica para a inativação da FUM. Com o papel de bioproteção, a Biomin desenvolveu um mix de ingredientes naturais que dá suporte ao sistema imunológico e hepático, além de auxiliar a barreira intestinal a neutralizar os efeitos negativos das micotoxinas. Todos esses ingredientes foram combinados em um único produto chamado Mycofix Plus 5.0, com efeitos comprovados em laboratório e em vacas em produção nos grandes centros científicos mundiais.

Em estudo realizado com vacas em lactação, com duração de 84 dias e dieta contaminada naturalmente com DON, Afla B1, ZEA e OTA, Kiyothong et al. (2012) avaliaram os efeitos do Mycofix Plus 5.0 na função imune, parâmetros ruminais e desempenho produtivo. Como principais resultados, foram observados aumentos na produção de leite de 2,1 kg /dia, na concentração de proteína no leite, no consumo, na digestibilidade, na contagem de bactérias ruminais, na produção de ácidos graxos voláteis e melhora nos parâmetros imunológicos (aumento na Imunoglobulina A e redução na contagem de células somáticas). Com o custo atual, temos um retorno sobre o investimento de cerca de 5:1 ou um mínimo para se pagar o equivalente a menos de um copo de leite (150ml).

O Mycofix 5.0 chegou para auxiliar a proteger os animais inativando as micotoxinas e reduzindo seus efeitos pela bioproteção, resultando em mais saúde para as vacas, maior eficiência reprodutiva e produtiva e maior rentabilidade na pecuária de leite.

Referências
Kiyothong et al., 2012. Effect of mycotoxin deactivator product supplementation on dairy cows. Anim. Prod. Sci. 52: 832-841.

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