Dr. Thiago Bernardino de Carvalho
Pesquisador Cepea/Esalq-USP
A terminação intensiva vem ganhando muito espaço na pecuária brasileira. Confinamentos bem estruturados proporcionam a padronização de carcaça, aumento do ganho de peso em giro mais rápido, aproveitamento de “subprodutos” derivados de outras cadeias produtivas na nutrição e garantia de escala para a indústria ao longo do ano, além de ser uma ferramenta de investimento e retorno financeiro de curto prazo.
O número de cabeças confinadas no Brasil aumentou fortemente nos últimos ano. Saiu de 3,83 milhões, em 2018, para 7,21 milhões em 2024, incremento de mais de 85%, sob estímulo do alinhamento entre os benefícios expostos acima com a demanda da China. O interesse do mercado chinês por animais mais jovens foi um gatilho para que um volume maior de gado passasse a ser produzido em um período mais curto.
Dados de confinamento acompanhados e calculados em parceria pela dsm-firmenich e o Cento de Estudos Avançados em Economia Aplica (Cepea), da Esalq/USP, mostram que a rentabilidade da produção intensiva é superior aos retornos que o mercado brasileiro vem trabalhando.
Nos últimos anos, a rentabilidade média oscilou de -17,7%, no ano de 2023, até mais de 46% no ano passado, mostrando, sim, uma alta volatilidade, explicada pelos preços dos insumos (grãos e boi magro) e, também, pelo valor de venda do boi gordo. Por sua vez, o retorno médio mensal do confinamento ao longo de 2018 a 2025 oscilou de -1,7% a 15,4%, trazendo um cenário interessante sob a ótica de investimentos.

Em comparação, por exemplo, com a taxa CDI – parâmetro de retorno sobre o capital –, seria mais rentável investir na atividade de confinamento, em diferentes períodos nos últimos anos.
A “rentabilidade acumulada em doze meses”, calculada desde o ano de 2018, mostra que, de 2019 ao início de 2022 e, também, de julho de 2024 para cá, a rentabilidade do confinamento foi maior que o CDI. A produção de gado chegou a dar retornos acima de 60% em 2021 e, em 2025, superou os 45%, mostrando quão interessante a pecuária se tornou enquanto alternativa para investimento.

A análise do retorno mensal mostra que o obtido, em média, com o confinamento superou os 11% em julho de 2024 e beirou os 10% em julho de 2020. Esses foram períodos em que, mesmo com a arroba não alcançando valores elevados, o retorno foi favorecido pelos preços baixos do milho e do boi magro.
Nos últimos oito anos (de jan/18 a out/25), o retorno médio do confinamento superou o do CDI em 49 meses – sendo superado, portanto, em outros 45 meses. Este é um parâmetro médio ao longo de anos em que a pecuária tem se profissionalizado. Os aprimoramentos recentes em manejo e em gestão, tanto do confinamento (produção) quanto da comercialização, têm favorecido a melhora dos resultados e, a depender do caso, pode estar entregando resultados ainda mais competitivos que as médias aqui apresentadas.

A exemplo de outros negócios, o agropecuário também está suscetível a oscilações da economia e da política, mas as tendências de profissionalização, de ganhos contínuos de produtividade e de abertura de novos mercados tornam os retornos obtidos por esse mercado bastante competitivos e merecedores de atenção enquanto alternativa de investimento.


