Boas práticas de manejo nutricional no semiconfinamento

Com sua adoção de forma estratégica, é possível dobrar ou até mesmo triplicar a produção de arrobas por hectare, passando de três para nove arrobas produzidas por hectare ao ano

Marcos Sampaio Baruselli
Zootecnista e gerente da categoria confinamento da DSM

O semiconfinamento de bovinos de corte, também conhecido como “confinamento a pasto” ou “sistema piquetão”, é um modelo de produção que consiste em arraçoar animais a pasto, ao invés de levá-los até as baias de confinamento. Daí o nome: semiconfinamento.

Seu uso correto permite multiplicar por três o Ganho Médio Diário (GMD) dos animais e, ainda, aumentar de forma expressiva a taxa de lotação da grande maioria das propriedades rurais brasileiras, hoje na faixa de 0,9 a 1,0 UA /hectare (CEPEA, 2020; 1 UA – Unidade Animal = 450 Kg).

Na recria ou na engorda de bovinos, o semiconfinamento permite produzir mais arrobas por animal e em menor área de pasto, melhorando a produtividade e a receita das propriedades rurais, basicamente por reduzir o ciclo de produção (boi de ciclo curto), antecipar a entrada de capital e aumentar o fluxo de caixa.

O semiconfinamento ainda tem sido empregado de forma estratégica na terminação de bovinos de corte durante o outono e o inverno, quando as pastagens perdem valor nutricional e produzem menos massa verde devido ao período seco do ano.

Contudo, conforme a estratégia adotada pelo produtor rural, o sistema também pode ser empregado durante o período das águas, em pleno verão, sendo capaz de promover elevados ganhos médios diários de peso, da ordem de 1,0 a 1,4 Kg/bovino/dia, sempre associados a elevadas taxas de lotação e à alta produção de arrobas por unidade de área.

Em média, a pecuária de corte no Brasil produz 3,5 arrobas por hectare ao ano (Cepea, 2020). E, com a adoção estratégica do semiconfinamento, é possível dobrar ou até mesmo triplicar a produção de arrobas por hectare, saindo de três para nove arrobas produzidas por hectare/ano.

Destacaremos, a seguir, algumas das boas práticas de manejo nutricional do semiconfinamento de bovinos de corte:

1. Quantidade de cochos para semiconfinamento. O produtor rural deve disponibilizar cochos adequados e em quantidade suficiente para o fornecimento diário da ração concentrada aos bovinos. O fornecimento nos cochos deve ser feito, de preferência, em horários fixos e preestabelecidos. Às 10 horas da manhã, logo após o pastejo matinal dos animais, tem sido o horário usualmente escolhido pelos produtores. A quantidade de cocho recomendada é de um metro linear para cada três UA – Unidade Animal (1 UA = 450 kg), de modo que, em média, deve-se disponibilizar 33 cm lineares de cocho por animal. Desta forma, evitam-se brigas e o consumo irregular de ração concentrada (fatores que podem alterar os resultados zootécnicos e econômicos).

2. Quantidade de ração/animal/dia. Depende diretamente da categoria animal (recria ou engorda) e da estratégia de ganho de peso almejada. Contudo, de modo geral, a quantidade de ração fornecida por bovino por dia oscila de 1,0 % a 2,2 % do peso vivo do animal (1 UA = 450 Kg; semi de 1% = 4,5 Kg de ração concentrada / dia; 1 UA = 450 Kg; semi de 2% = 9,0 Kg de ração concentrada / dia). O exemplo abaixo ilustra o semiconfinamento de 1% do peso vivo de ração concentrada na engorda de bovinos:

Bovino de corte em fase de engorda com Peso vivo inicial = 400 Kg.
Peso vivo final = 500 Kg.
Peso vivo médio = 450 Kg.
Ganho de peso no período = 100 Kg.
Período = outono (abril, maio, junho) = 90 dias.
Consumo de ração concentrada = 1% do peso vivo.
Consumo médio de ração concentrada / bovino / dia = 4,5 Kg.
Consumo de ração concentrada / bovino / período de 90 dias = 405 Kg.
Ganho de peso diário (GMD) = 1,1 Kg / bovino.

NOTAS IMPORTANTES:
I. O Ganho Médio Diário – GMD, assim como a taxa de lotação (quantidade de animais por hectare), depende diretamente do volume de pasto, isto é, da capacidade de suporte das pastagens, sendo comum pastos com maior volume e de melhor qualidade suportarem taxas de lotação maiores, acima de 3 UA / hectare;

II. No caso específico da adoção do semiconfinamento de 2% do peso vivo em ração concentrada (1 UA 450 Kg X 2% = 9 Kg de ração concentrada/dia), é comum a taxa de lotação dobrar ou até mesmo triplicar, uma vez que a ração concentrada na dose de 2% do peso vivo é capaz de suprir grande parte da exigência diária em matéria seca do animal, o que torna possível taxas de lotação maiores (menor dependência dos pastos);

III. Em casos específicos de pastos bem manejados e adubados associados com o semiconfinamento estratégico de 2% do peso vivo por 90 dias (fase final de engorda), é possível trabalhar com elevadas taxas de lotação animal, da ordem de 10 UA/hectare, obtendo elevados resultados em GMD, da ordem de 1,2 a 1,4 Kg / bovino / dia, e elevada produtividade de arrobas
por hectare (acima de 15 arrobas por hectare por ano ou quatro vezes mais arrobas por hectare que a média nacional);

IV. Em caso de semiconfinamento de 2% do peso vivo, recomenda-se fornecer o trato duas vezes ao dia, no período da manhã e da tarde.

3. Balanceamento da ração concentrada. Para o preparo da ração concentrada, o produtor rural pode comprar em sua região os principais ingredientes, como milho moído, farelo de soja e ureia, e, em seguida, misturá-los ao núcleo mineral vitamínico da DSM (exemplo: FOSBOVI CONFINAMENTO CRINA – consumo médio esperado = 300 gramas / bovino /
dia) nas seguintes proporções:

NOTAS:

  1. Ração concentrada com 18% PB.
  2. Quantidade a ser fornecida = 1% do Peso Vivo do Animal (1 UA = 4,5 Kg/ dia)
  3. FOSBOVI CONFINAMENTO CRINA = núcleo mineral vitamínico formulado com CRINA, blend de óleos essenciais, patente da DSM, indicado para substituir com vantagens o uso de antibióticos na ração de bovinos de corte semiconfinados ou confinados.

4. Período de adaptação. Peça fundamental das boas práticas de manejo nutricional, o período de adaptação dos bovinos tem sido adotado por sete a 14 dias. Na adaptação, o produtor deve aumentar aos poucos a quantidade de ração concentrada, até atingir a dose recomendada (1% ou 2% do Peso vivo). O período de adaptação mais adotado chama-se “adaptação em escada”, em que, a cada dia ou a cada dois dias, o produtor sobe um degrau. Isto é, aumenta de 0,5 Kg a 1 Kg de ração por bovino por dia, até atingir a dose total de ração concentrada estabelecida.

5. Formação de lotes homogêneos. Possui alta correlação com as boas práticas de bem-estar animal e é fundamental para evitar brigas e estresse nos lotes de bovinos. Via de regra, recomendam-se lotes bem homogêneos, com variação de peso de 20 kg a 30 kg entre o animal mais leve e o mais pesado. Da mesma forma que o confinamento, no semiconfinamento também se recomenda a formação de lotes de bovinos de, no máximo, 100 a 120 animais, o mais parelho possível, separando-se os lotes por sexo, machos castrados e inteiros.

A seguir, outro exemplo prático de balanceamento de ração para semiconfinamento de bovinos de corte em fase final de terminação:

NOTAS:

  1. Ração concentrada com 14% PB – fase final de engorda de bovinos semiconfinados.
  2. Quantidade a ser fornecida = 1% do peso vivo do animal (1 bovino 500 Kg = 5 Kg/dia).
  3. FOSBOVI CONFINAMENTO 400 = núcleo mineral vitamínico, formulado com MINERAIS TORTUGA de alta
    biodisponibilidade (S, Co, Cu, Cr, Mn, Se e Zn), leveduras vivas, ureia pecuária, cloreto de sódio, vitaminas A, D e E,
    fosfato bicálcico de alto valor biológico e monensina sódica.

Para outras formulações, procure a equipe Técnica Comercial da Tortuga, uma marca DSM.

Fale conosco:

0800 110 6262

Sigam nossas redes socias:

Quer receber nossas novidades em primeira mão? Cadastre-se!