Dr. Thiago Bernardino de Carvalho
Pesquisador Cepea/Esalq-USP
O ano de 2025 vem registrando números elevados de animais em confinamento, especialmente para o segundo semestre do ano. Com o objetivo de garantir a oferta de animais gordos entre os meses de julho a dezembro, período de baixa disponibilidade de pastos, e com melhor rendimento de carcaça, o confinamento deve ultrapassar os 8,5 milhões de cabeças neste ano, segundo dados da dsm-firmenich.
Dados da fermenta FarmTell mostram que, em média, de janeiro a junho, a taxa de ocupação dos confinamentos no Brasil esteve 28,68% maior do que o registrado em igual período do ano passado. Somente em julho a diferença esteve um pouco menor, mas, ainda assim, quase 20% acima do verificado em julho do ano passado.
Esse aumento dos animais em confinamento tem sido estimulado tanto pela expectativa de receitas melhores para o boi gordo em 2025 quanto pelos preços dos insumos para a engorda, com destaque para o milho e o boi magro.
Dados do Cepea mostram que a relação de troca boi gordo por milho está muito favorável ao terminador ao longo deste ano, sinalizando também uma excelente relação para o segundo semestre de 2025.
Analisando os Indicadores do Boi Gordo CEPEA/ESALQ e do Milho ESALQ/B3, a relação de troca entre os dois produtos no estado de São Paulo está 8,6% mais favorável ao pecuarista no decorrer do janeiro a julho deste ano do que no mesmo período de 2024. Com um quilo de boi gordo vendido, é possível comprar 18,97 quilos de milho. Somente neste ano (até final de julho), o milho já recuou 13,4%, enquanto que a arroba do boi gordo baixou apenas 5,94%, favorecendo o pecuarista na compra desse insumo.
Em julho deste ano, a relação esteve 19,5% superior à de julho/24, sendo um dos fatores de decisão para a engorda de animais no sistema de confinamento neste ano.

Nem mesmo o recuo do preço do boi gordo em alguns momentos de 2025 foi suficiente para diminuir o volume de gado posto para engorda no cocho, o que se justifica também pela necessidade de se manter a operação ativa, dadas a magnitude do investimento, a necessidade de se girar o rebanho na propriedade e também para garantir escala e fidelidade junto aos frigoríficos.
O item mais importante do custo, o boi magro, que representa até representa 70% da operação, em julho, esteve cerca de 35% acima do preço de um ano atrás, como reflexo da mudança do ciclo pecuário e da maior demanda para confinamento. Apesar disso, ao longo do ano (de janeiro para julho), a alta é de apenas 2,3%, o que, por sua vez, ajuda a estimular a atividade.
A relação de preços entre boi gordo e boi magro atingiu um ágio de 11,44% no mês de julho, quando o animal de reposição esteve cotado na média de R$ 4.011,50 no interior de São Paulo. É a segunda maior diferença de preços em 2025, com o animal de reposição se mostrando valorizado e sinalizando o otimismo com a atividade.

O gráfico mostra a tendência de preços do boi magro, que depois de atingir os menores preços desde 2013, vem apresentando altas sequenciais, impactando na relação de troca por boi gordo e, consequentemente, na decisão de confinar neste ano. Por outro lado, os preços ainda estão longe de atingir máximas, sinalizando que, apesar das altas, é ainda um bom momento para a engorda em confinamento.